Em 1975, quando o Deep Purple estava em sua fase terminal, o então ex-baixista do grupo Roger Glover pegou um livro infantil, sobre um baile dos bichos na floresta, e compôs um musical. Chamou os melhores roqueiros da Inglaterra, entre eles vários ex-membros do Deep Purple, pra cantar e tocar. O resultado foi um dos melhores shows que eu já assisti, infelizmente entremeado com partes "artísticas" inexplicáveis.
A performance final da música principal do show tem clima de churrascão dos amigos:
domingo, 22 de março de 2009
Love is all
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Marcelo
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domingo, 8 de março de 2009
Ian Gillan, um herói
Estive ontem na coxia do show do Deep Purple. Ainda não escrevi minha resenha, mas escrevi no meu blog sobre a banda uma defesa panfletária, abertamente parcial e imensamente sincera do vocalista Ian Gillan. Se você tiver interesse, este é o link.
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11:25
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Um Grammy e uma negativa
Robert Plant ganhou cinco Grammys ontem, por seu trabalho com Allison Krauss ("Raising Sand"). Merecido mesmo: é um BAITA discão. Foi por conta de seu entusiasmo com esse trabalho que Plant não quis saber de voltar para o Led Zeppelin e ganhar milhões. Na cerimônia, quando um repórter perguntou por que ele não voltava, ele lascou:
-- Olha, meu chapa, sei lá que idade você tem, mas tenta cantar 'Communication Breakdown' de calça apertada.
Vejam o que é o Robert Plant cantando "Black Dog", do Led, com sua nova parceira. Eu, particularmente, adorei. Recomendo os fones de ouvido pra ouvir melhor o dueto. Allison Kraus cantando "gonna make you sweat, gonna make you groove" junto com o "Percy" é pra derreter os fortes. E esperem só o solo.
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Marcelo
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09:46
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domingo, 9 de novembro de 2008
Quinze anos de um final triste
Há 15 anos, neste mesmo dia, ficou cristalinamente claro que minha formação favorita da minha banda favorita não tinha futuro. Tudo por conta de um choque de egos entre meu guitarrista favorito e meu cantor predileto.
A noite de 9 de novembro de 1993 - registrada originalmente no CD e no DVD "Come Hell or High Water" - foi aquela em que a fricção entre Gillan e Blackmore fez surgir o fogo. Ou a água, se preferirem. Blackmore entrou no palco na metade de Highway Star e sumiu no começo de Black Night. Jogou água no câmera. O homem estava com a macaca. O segundo retorno da formação clássica do Deep Purple, em 1993, durou poucos meses. Mas foi o choque necessário para que o Deep Purple resolvesse arejar suas idéias e seguir na estrada, com novos e empolgantes guitarristas: primeiro, Joe Satriani; depois, e até hoje, Steve Morse.
Eu tenho o vídeo (em VHS) e o CD daquela noite. Está longe de ser minha performance favorita do Deep Purple. O DVD é editado com entrevistas em que os quatro remanescentes falam mal do Blackmore - algo como a mais comentada do que vista edição do debate do Lula com o Collor em 1989. A EMI tentou relançar o CD com o show completo, mas em fevereiro do ano passado o Ian Gillan chiou a respeito. Disse ele à BBC:
- "Foi um dos pontos mais baixos da minha vida. De todas as nossas vidas, aliás. De fato, aquela formação só durou cinco ou seis shows depois daquele de Birmingham. Aí, o Ritchie saiu da banda. Desde então, temos 13 anos de estabilidade."
O protesto do Gillan fez efeito. Hoje, você não encontra o DVD de "Come Hell or High Water", novo, por menos de R$ 60 nas principais lojas especializadas. O CD desapareceu feito fumaça. E o CD com o show completo, só em ponta de estoque. No site da Livraria Cultura, custa R$ 90.
Desde a primeira vez em que vi o show, apenas uma parte dele me abre um largo sorriso. Não é nenhuma música do próprio Deep Purple, e sim dos Rolling Stones: "Paint it Black". Eles tocavam isso no início dos anos 70 para o Paice fazer um longo solo de bateria e os outros descansarem um pouco ou talvez irem pra baixo do piano com alguma fã mais empolgada. Em 1993, a música virou uma vitrine dos talentos de cada um dos mestres.
Blackmore esmerilha sua guitarra. Lord põe seus dedos pra dançar sobre o teclado de seu brinquedo favorito. Gillan sorri enquanto surra as congas. Glover, sempre discreto, toca as mesmas duas notas que tocava aos 25 anos pra garantir uma base firme pra piração dos amigos. E Paice bota pra trabalhar os pigmeus percussionistas que traz escondidos sob sua manga. Vá lá que o Blackmore desapareça durante a maior parte do tempo, quando devia trocar solos com o Lord, e volte só no final. Mas aí todos eles estão completamente à vontade fazendo o que sabem fazer melhor.
É esse o Deep Purple para o qual eu tiro o chapéu desde a adolescência:
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sábado, 1 de novembro de 2008
We will rock you
O caderno "Paladar", do Estadão, publicou quinta-feira um poderoso texto do New York Times sobre um herói-somellier de mangá japa:
- Shizuku Kanzaki prova um Bordeaux Château Mont Perat 2001. Uma gota de suor brilha na bochecha esquerda. Guitarras, Freddie Mercury e toca-discos explodem em sua cabeça.
Parece ou não a reação do ratinho do desenho "Ratatouille" quando mistura sabores na boca?
E a coisa continua:
- "Poderoso", diz ele. "Mas também tem doce derretendo, e uma ponta de acidez que pega de surpresa. É como a voz do vocalista do Queen- doce e rouca, aprisionada em ondas densas de guitarra e percussão pesada."
É algo mais ou menos assim:
Segue em frente com os criadores:
- Não importa que Shizuku Kanzaki seja apenas um personagem de história em quadrinhos, o herói do mangá seriado Gotas dos Deuses, criado e escrito pelos irmãos japoneses de meia-idade. Leitores asiáticos que nunca ouviram falar em Robert M. Parker Jr. escrutinam cada degustação do herói, aprendendo sobre vinhos com palavras e imagens que soariam estranhas a ouvidos tradicionalistas. A série usa imagens improváveis como o quadro Angelus, de Jean-François Millet, para explicar a riqueza de um vinho, e um pântano ao norte de Tóquio para descrever uma safra difícil, mas compensadora. "São imagens que emergem de vinhos que realmente bebemos", diz Yuko Kibaiashi, de 49 anos, criadora da série com o irmão Shin, de 46. "É como um jogo."
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sábado, 25 de outubro de 2008
Gonna make you sweat, gonna make you groove
O Robert Plant não quis fazer a turnê com o Led Zeppelin pra fazer turnês com a Allison Krauss, a cantora de bluegrass com quem ele gravou o disco "Raising Sand" no ano passado.
Compare os dois vídeos abaixo. O primeiro tem ele com a nova colega. O segundo tem ele com os velhos colegas. Eu, pessoalmente, acho muito mais interessante o trabalho novo. Do velho eu já sei o que esperar (e adoro). O novo me fez vibrar como um torcedor na hora do gol. Várias vezes.
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sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Punk cigano
Nunca imaginei que eu fosse querer ir ao show da Madonna. Não pela Madonna, mas pelos malucos do Gogol Bordello, que só pelo fato de virem pra abrir o show já fazem o ingresso valer a pena. Eles tocam um tipo de música que classificam como punk cigano, misturando acordeão com guitarra e polonês com espanhol e inglês.
Essa música aí embaixo, "60 Revolutions", soa mais ou menos como uma banda de Tchê Music soaria depois de cair num barril de testosterona, aprender a tocar guitarra como se deve e levantar o dedo médio pra tradição bombachuda. A quantidade de gente maluca no palco lembra os Titãs do tempo em que eles eram bichos escrotos, e não os tiozinhos fofinhos que viraram depois do Acústico.
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domingo, 4 de maio de 2008
Longe do chão
A banda Pedra é uma das boas surpresas de São Paulo. É uma banda pouco conhecida, porque não toca em novela e nem em FM. Mas já gravou dois discos, e o mais recente pode ser baixado no site deles. A Pedra tem um grande guitarrista (meu amigo Xando Zupo), um baita baterista (o glorioso Ivan Scartezzini) e dois outros ótimos músicos que só conheço de ouvir em gravações. Vejam só o que é a qualidade do trabalho deles neste clip feito em Londres:
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domingo, 20 de abril de 2008
40 anos dos mestres
Em 20 de abril de 1968, uma banda inglesa nova chamada Roundabout foi tocar um cover dos Beatles num programa de TV dinamarquês. Na última hora, avisaram a produção de que o nome tinha mudado: a partir dali, seria Deep Purple. Desde então, eles foram e voltaram e mudaram várias vezes a formação e fizeram 2.014 shows - dos quais 49 foram no Brasil.
Vida longa e próspera aos mestres. Coloquei uma homenagem lá no Purpendicular, com vídeos praticamente de todos os anos em que o Deep Purple esteve ativo em tanto tempo. Tem seus melhores e piores momentos. Na média, eles estão no lucro.
Um gostinho aqui, com eles tocando "Smoke on the Water" no mais polêmico show que fizeram nos últimos tempos, dentro do Kremlin (sobre o qual escrevi aqui em fevereiro):
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domingo, 2 de março de 2008
Um fã do Deep Purple vira presidente
Dmitry Medvedev, fã do Deep Purple e acólito de Putin, é oficialmente o presidente eleito da Rússia. A foto aí em cima, publicada por este blog no dia 11 de fevereiro, foi usada pela Economist no artigo sobre a eleição. Vale a pena ler o artigo pra saber um pouco melhor sobre a carreira controvertida do novo mandatário.
Há precedentes de dignitários internacionais fãs do grupo. O ex-premiê inglês Tony Blair matava aulas, nos anos 70, pra ver Ritchie Blackmore esmerilhar sua guitarra. Bom gosto para música, porém, não é um atributo político.
Em termos de discos do Deep Purple, não se sabe ainda se o governo de Medvedev será um Machine Head (um sucesso lembrado com carinho décadas depois), um Fireball (pouco celebrado, mas com uma criativa exploração de caminhos), um The Battle Rages On (bom, mas sem muito ânimo) ou um Slaves & Masters (o grupo faz o que sempre fez, mas o vocalista destoa).
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Sociedade dos gênios mortos
Nesta semana, os vídeos são do Jimi Hendrix, guitarrista que este blogueiro ouve de joelhos. Morreu há poucos dias o baterista Buddy Miles, que tocou com ele na "Band of Gypsys" durante alguns meses em 1969 e 1970. Billy Cox, o baixista, ainda está vivo. Olhem o que eram as crianças:
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
O verdadeiro blues-rock inglês em São Paulo
Em maio, vêm a São Paulo John Mayall e seus Bluesbreakers. Mayall é um dos maiores expoentes do blues-rock inglês dos anos 60 e 70 - uma reinterpretação chuvosa do trabalho de pioneiros americanos como Robert Johnson, que acabou dando origem a Yardbirds, Rolling Stones, Cream e Led Zeppelin.
Olha o que é o show do menino:
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
O Deep Purple capitulou?
Vejam a cara de felicidade do ilustre cavalheiro aí do meio. Eu conheço bem essa expressão, porque ela também já esteve no meu rosto. Acontece que esse é o provável próximo presidente russo, Dmitry Medvedev, chefão da Gazprom, privatizada do gás russa e candidato de Vladimir Putin à sua sucessão no comando do país.
Para desgosto da maior parte dos fãs, o Deep Purple tocou ontem na festa dos 15 anos da "Petrobras" russa, na despedida de Medevedev antes de se tornar o candidato oficial.
O show ficou tão pop que levou o New York Times a citar a banda pela primeira vez nos dez anos em que o leio.
Medvedev tem tantos discos do Deep Purple quanto eu, mas sua conta bancária é bem mais gorda. Fã da banda desde o tempo em que ter o Machine Head em casa podia dar cadeia, Medvedev já contratou Joe Lynn Turner e Glenn Hughes em 2004 pra gravar músicas compostas por ele próprio. Turner, ex-vocalista do Deep Purple que hoje parece aceitar convite pra cantar até em churrascaria, cantou pra Medvedev e outros 70 magnatas russos em julho do ano passado. Mas eu não consigo deixar de achar meio incômoda essa coisa toda.
O anúncio foi polêmico na Rússia, por todos os justos motivos. Os fãs de lá ficaram até contentes que os políticos russos tenham bom gosto pra música, "mas pena é que eles não estejam gastando seu próprio dinheiro nisso".
Não se sabe quanto o Purple ganhou por isso, mas a Forbes lembra que o cachê mais alto já pago por ricaços na Rússia foi para George Michael: US$ 3,5 milhões. Como se trata do presidente da "Petrobras" russa, de um cara que parece ser mais fã do Deep Purple do que eu e que ainda por cima pode ser o próximo presidente, acho que temos aí um novo recorde.
A Reuters já publicou um texto a respeito do show de hoje, mas ele me soa a cascata. A única informação é a de que o Purple tocou lá, e todo o resto quase soa a chute:
- A banda britânica Deep Purple fez um show diferente na segunda-feira, tocando no Kremlin para uma platéia de casacos de pele, ternos e medalhas militares em vez de jeans e camisetas. Muita gente da platéia chegou de limusine em vez de ônibus, e na primeira fila estava o provável futuro presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, ex-espião da KGB.
(...)Considerada certa vez a banda mais barulhenta do planeta, segundo o livro Guinness dos Recordes, o Deep Purple parecia meio deslocado em meio à imensidão do Palácio Estatal do Kremlin, que tem um dos maiores palcos do mundo e uma platéia para 6.000 pessoas.
O público, em geral homens de meia-idade vestindo terno e gravata, permaneceu impassível diante dos hits dos anos 1960 e 70, como "Smoke on the Water". Só eventuais balanços de cabeça indicavam que havia alguém escutando. Coube a um pequeno grupo de estudantes e jovens executivos, sentado na lateral do salão, agitar as mãos acima da cabeça e eventualmente assoviar e gritar.
Não é a primeira vez que os mestres me aprontam uma destas. Em dezembro, meu grupo de rock favorito fez um show secreto em Zurique, pra uma platéia de banqueiros.
Ian Gillan nunca cansa de dizer o quanto o espanta saber que, na extinta União Soviética, alguém poderia ser preso se fosse pego ouvindo seus discos. Talvez isso tenha a ver com o motivo de eles terem aceitado. Não justifica, mas explica. Abaixo, a canção "Anya", gravada em 1993, em alusão à Rússia.
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terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Natal com a família Blackmore
Ritchie Blackmore não é nem o mais famoso, nem o mais rápido, nem o mais simpático entre todos os guitarristas da história do rock. Quando era mais jovem, botava fogo no palco só´de birra com um câmera. Quando já era um tiozinho, estendia as birras a não entrar no palco antes da hora do solo. Esse gênio genioso, porém, é meu guitarrista favorito desde que eu era adolescente.
Há dez anos, ele largou a eletricidade e as birras pra tocar música inspirada em composições medievais, ao lado de sua patroa Candice Night. Não faz rock, mas está tranqüilo. No ano passado, eles lançaram um disco só com músicas de natal. Abaixo, uma palinha deles tocando juntos.
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terça-feira, 11 de dezembro de 2007
I don't know, but I've been told...
Pois ontem finalmente o Led Zeppelin se reuniu. Eu não estava lá na O2 Arena, mas acompanhei a um oceano de distância. Do show mesmo, só vi um trecho de "Black Dog", reproduzido na Globo News, no Jornal da Globo e, agora vejo aqui, na BBC:
Sempre exatamente o mesmo trecho. Um fã que esteve lá até postou no YouTube um trecho de "The Song Remains The Same", mas de alguma forma acabou resolvendo retirar. O Vitor Benvindo, do Mofodeu, catou este vídeo amador de Stairway to Heaven:
Do pouco que eu vi, me parece que não fizeram feio - mesmo com o dedo quebrado do Page e a voz mais velha do Plant. Ele me parece estar cantando melhor do que nos anos 90, quando gravou dois discos com Page. A presença de palco de todos eles ainda é poderosa, embora já estejam meio velhos, meio gordos. A música permanece a mesma, ainda que a afinação tenha mudado pra acomodar o alcance vocal atual de "Percy". Não é ruim, não: o exemplo é ruim, mas nem Roberto Carlos, que não chicoteia muito sua voz, chegou aos 60 anos cantando como cantava aos 20.
Numa sacada genial, o show começou com "Good Times, Bad Times" - a primeira faixa do primeiro disco do Led Zeppelin, que tem esta letra bastante apropriada:
- In the days of my youth, I was told what it means to be a man,
Now I've reached that age, I've tried to do all those things the best I can.
No matter how I try, I find my way into the same old jam.
(Nos meus dias de juventude, me disseram o que é ser um homem.
Agora que estou na idade, tentei fazer tudo aquilo do melhor jeito que pude.
Não importa o quanto eu tente, eu acabo sempre metido na mesma bagunça.)
Vale a pena ler a resenha do New York Times. O Guardian enrolou um pouco citando Nick Hornby antes de contar como foi o show. Mas o prêmio de maior concentração de trocadilhos por parágrafo quadrado vai para a chamada do Los Angeles Times:
- It had been a long time since they'd rock and rolled, but the band played one more time to a rapt crowd. The players aged, but the song remains the same.
Agora, é aguardar o DVD. E a turnê, talvez?
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sábado, 8 de dezembro de 2007
I woke up this mornin'...
Realizei nesta semana um sonho da minha adolescência: dei-me de presente de natal as gravações completas do Robert Johnson, caixa sobre a qual li pela primeira vez em 1990 e pus as mãos, babando, em 1993. Um moleque de cabelo comprido e jaqueta surrada agradece, em algum canto da memória.
O bluesman gravou apenas 29 composições, e a maior parte delas tem dois ou três takes. Nisso, o mimo que me dei não é tão completo assim: falta uma versão de "Traveling Riverside Blues" (que eu tenho em outro disco). Você possivelmente sabe desse número limitado de músicas se assistiu ao filme "A Encruzilhada", em que o Karatê Kid enfrenta Steve Vai num torneio de guitarras ao procurar uma composição perdida - inexistente - do bluesman. Filminho bobo, mas abre curiosidades.Robert Johnson tinha um estilo de vida comparável ao de tantos roqueiros que influenciou depois de sua morte: mulheres carentes, bourbon e blues. Tal como Jimi Hendrix, ele não era exatamente um virtuose da voz, mas fazia misérias com as cordas enquanto cantava e dava seus gritos ("EEE-HEEE!"). Tal como Hendrix e outros tantos, morreu aos 27 anos, depois de se meter com mulheres erradas e, segundo o último bluesman com quem tocou, beber cerveja de uma garrafa aberta fora de seu campo de visão. Johnson possivelmente morreu envenenado.
Keith Richards, o guitarrista dos Rolling Stones, julga a obra de Johnson o ápice do rock. Eric Clapton, até os 25 anos, não dava pelota a ninguém que não conhecesse sua obra - e, quatro décadas mais tarde, gravou um CDs e um material de ensaios em homenagem ao seu mestre. Se você assistir ao filme "Stoned", que conta o fim da vida de Brian Jones (o outro guitarrista dos Stones), verá por repetidas vezes o sujeito ouvindo músicas de Johnson - possivelmente da coletânea "King of the Delta Blues Singers", lançada em 1961. Robert Plant, no Led Zeppelin, chupava literalmente trechos de Johnson:
- Now you can squeeze my lemon 'til the juice run down my...
(falado) 'til the juice rune down my leg, baby, you know what I'm talkin' about
You can squeeze my lemon 'til the juice run down my leg
(falado) That's what I'm talkin' 'bout, now
Eu adoraria pôr um vídeo do YouTube neste post que mostrasse Johnson tocando. Mas ele teve sua carreira muito antes de vídeos de artistas serem algo comum. Mais ainda: só se conhece duas fotos indubitavelmente dele e uma terceira duvidosa.
Uma coisa que muito me agrada, porém, é ouvir guitarristas falando de como tocam. Ou das dificuldades que têm para tocar. Tive algumas aulas de violão clássico, meia vida atrás, mas parei de praticar para estudar para o vestibular. Hoje toco violão muito mal, mas conheço do instrumento o suficiente para aumentar meu fascínio por violões e guitarras sempre que vejo alguém tocando bem ou falando sobre como toca.
Abaixo, está um vídeo em que Clapton explica as dificuldades que teve para regravar as músicas de Johnson. É particularmente interessante porque o CD "Me and Mr. Johnson" inicialmente me pareceu meio que um trabalho de João-Sem-Braço. Johnson tocava sozinho, e como eu disse antes ele fazia malabarismos com as cordas enquanto cantava. Clapton, por sua vez, quase sempre usou uma banda pra completar o som. Ficou mais moderno? Ficou. Mas a guitarra ficou mais simplificada. O vídeo abaixo é o segundo grande momento de humildade em que pego Clapton. O primeiro está no disco "The Howlin' Wolf London Sessions", em que o velho lobo o ensina a tocar "Little Red Rooster".
Vejam só a dificuldade que um dos guitarristas mais aclamados do mundo enfrentou para reproduzir o que Johnson fazia há 70 anos:
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sábado, 27 de outubro de 2007
O deus dourado abre o bico
Nos anos 70, o cantor do Led Zeppelin, Robert Plant, costumava gritar que era um "deus dourado" quando ia à janela ou à sacada dos hotéis de luxo onde a banda destruía corações e aparelhos de TV. Hoje, faz shows em lugares pequenos e seu vestiário é uma barraca. Quando recebe Allan Jones, o editor da revista inglesa Uncut, pergunta se ele conhece algum cabeça de gravadora que possa ter interesse na banda de seu filho, Jesse Plant.
Faltando pouco tempo para o show de retorno do Led Zeppelin, em 26 de novembro — pelas minhas contas, a apresentação mais disputada de toda a história da música popular, com mil candidatos por ingresso —, leio a entrevista do antigo "Percy" sobre o assunto. Ele nega que o Led Zeppelin vá voltar a fazer turnês. Segundo ele, isso lhe traria más lembranças do filho Karac, que morreu aos 5 anos de idade no auge do Led Zeppelin.
- "O fato simples é que, quando eu perdi meu filho, quando Karac nos deixou, eu realmente mudei. Quer dizer, não há nada no planeta que se iguale a esse tipo de dor... isso ainda me arrepia. Não importa o quanto você seja bom, ou o quanto você é capaz ou forte ou bem-intencionado, não dá pra superar uma coisa assim. E, desde então, eu acho que o rolo compressor do estilo de vida pelo qual eu passei com o Zeppelin tinha de ser modificado, e foi isso que eu fiz. E há alguns lugares e situações aos quais eu simplesmente não quero voltar."
Para Allan Jones, o que de melhor Plant produziu nos últimos 30 anos, desde os últimos suspiros do Led Zeppelin, está no mais recente disco que gravou, com a cantora de bluegrass Alison Krauss. Eles procuram ir à raiz do blues que sempre foi a inspiração de toda a música produzida por Plant. Veja abaixo o que é a colaboração.
O que Plant acha que ficou dos anos do rolo compressor?
- "É estranho, sério. É como voltar a uma sala empoeirada, sob a luz da tarde, e uma porta abre de vez em quando e você entra por ela e dá uma volta, e lá está todo o trabalho daquela época orgulhosamente exposto, e você sabe que ele foi organizado pra manter alguma coisa, pra dizer 'ei, não esqueçam - isto é ótimo'. E é essa a minha visão da coisa com o Led Zeppelin: não esqueçam, porque foi ótimo, e lembrem da imaginação que entrou naquelas músicas e do quanto o processo era natural. Pode ter sido quimicamente induzido às vezes, especialmente no final, mas ainda assim era muito, muito, muito bom. Na verdade, é uma coleção excelente de material, o repertório do Zeppelin. Mas agora eu suponho que somos na verdade mais os curadores do que os criadores. Eu tinha 32 anos quando o Led Zeppelin morreu - já faz quase metade da minha vida. Minha visão agora é que o passado deve cuidar de si próprio, corajosamente."
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quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Estréia no rádio
Um dos poucos assuntos que domino é a história do grupo inglês Deep Purple. Eles ocupam o lugar do futebol na vida deste perna-de-pau. Há cinco anos, mantenho esporadicamente um blog sobre o grupo, a título de hobby. Ontem, estreei uma participação eventual no programa e podcast "MofoDeu", que apresenta o melhor do rock'n'roll. A edição de ontem era um especial em homenagem a Glenn Hughes, que tocou baixo e cordas vocais no Deep Purple entre 1973 e 1976. O programa é amador - mas, até aí, eu também nunca fiz rádio na vida.
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segunda-feira, 1 de outubro de 2007
...E me conhecem pelo nome!
Meus amigos da banda Fireball estiveram há umas duas semanas no estúdio de uma agência de publicidade, gravando a música "Burn", do Deep Purple. A música foi usada no comercial da Mitsubishi Pajero, que estreou no último capítulo da novela Paraíso Tropical. Apenas mais de 50 milhões de brasileiros ouviram o som dos meus amigos.
A Fireball faz o mais competente tributo ao Deep Purple que conheço no Brasil. Pena que colocaram a voz de outro vocalista que não o Fauze Abdalla. Esse que canta ali tropeça na letra a torto e a direito. O Abdalla não tropeça e canta mais parecido ainda com o Coverdale.
Pelo que entendi, os direitos autorais para usar o original custam tão caro que vale mais a pena convidar um grupo local para gravar a música desejada da maneira mais parecida possível com o original. Em outros casos, para não precisar pagar direitos autorais sobre o uso das composições, músicos locais são chamados para criar músicas que lembrem as originais, mesmo sendo diferentes. E voilà: compre isto, beba aquilo, dirija sei lá o quê, visite tal lugar.
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