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terça-feira, 17 de março de 2009

Marketing em tempos de crise

Bem que a delegação brasileira podia fazer uma campanha no exterior, dizendo "Faça como a Madonna: invista no que é brasileiro".

domingo, 1 de março de 2009

Suspensão da descrença tem limite

No Estadão de hoje, a Patrícia Villalba reclama da turma do "até parece":

    Para ver novela é preciso saber brincar de novela, e não tem coisa mais chata do que comentar novela com quem não sabe brincar de novela. É aquela turma do "até parece que": "até parece que o povo fala português na Índia", "até parece que uma mulher em crise com o marido se arriscaria a hospedar a Letícia Sabatella em casa" e por aí vai.

    Não é coisa que vitime os roteiristas de cinema, principalmente os de Hollywood. Já os autores de novela, de quem nos sentimos íntimos, vivem sendo questionados por experts de plantão. A gente querendo ver o circo de Bia Falcão pegar fogo em Belíssima, e uns e outros dizendo por aí que as ações de uma empresa não podem ser divididas assim, em 49% e 51%. Ai, ai.

    Assim não dá, tem de acreditar!

Permita-me discordar. Suspensão da descrença tem limite - e olha que meu tipo favorito de ficção, hoje em dia, é o dos gibis.

Eu aceito numa boa que um sujeito venha de outro planeta com jeitão de humano boa-pinta, voe, solte raios dos olhos, use a cueca para fora da calça e esconda sua identidade secreta penteando o cabelo pra trás e usando óculos, desde que aspectos importantes do funcionamento do resto do mundo me sejam plausíveis. O padrão-ouro disso é Watchmen, que qualquer noveleiro pode conferir no cinema a partir de sexta se tiver preguiça de ler o gibi. (Tomara que o roteirista não tenha deixado a peteca cair.)

Hoje em dia, nem em gibi --exceto talvez os do tosco do Jeph Loeb-- um vilão consegue ser tão caricaturalmente vilanesco quanto as de novela, com direito a discursos grandiloqüentes explicando seu plano maligno a um herói que está nas últimas mas se solta por um fio de cabelo. Nem em gibi tosco, imagino, indianos explicam a outros indianos na mesa que "aqui na Índia" é assim ou assado. Aliás, acho que nem em Bollywood a Índia é hoje um país tão retrógrado e supersticioso quanto isso que aparece na novela.

O nó górdio de quase toda a produção ficcional brasileira, há décadas, é o roteiro. Antigamente se justificava em parte por falta de grana pra produzir, mas hoje grana não falta nem pra fazer cinema: a renúncia fiscal banca tudo. Enquanto noutras latitudes o roteiro vai se profissionalizando, por aqui ele geralmente se infantiliza no nível mais raso de suspensão da descrença, o do "mas é que isto é ficção, então vale tudo". Eu, pessoalmente, acho que dá pra fazer roteiro bom e divertido sem escorregar nessa casca de banana. Não precisa nem ser complexo, só precisa ser coerente.

Enquanto até a crítica justificar o vale-tudo mais rasteiro, que torna o Super-Homem mais plausível que a Flora, prefiro continuar lendo gibi. Sou chato? Sou. Mas novela é bem mais.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Carnaval, que nada!

No ano passado eu enchi o saco de datas comemorativas. Eram tantas que passei a ignorar solenemente todas elas. Até que hoje, fuçando minha coleção de discos de jazz, descobri uma série de pérolas que completam 50 anos neste ano.

O mais famoso de todos é o Kind of Blue, do Miles Davis - o disco mais perfeito já feito por mãos e pulmões humanos. Dia 2 de março, a primeira sessão de gravação do disco completa meio século. Foram gravadas as três faixas do lado 1 do LP, "So What", "Freddie Freeloader", e "Blue in Green". As do lado 2, "Flamenco Sketches" e "All Blues", foram gravadas em 22 de abril. Veja o vídeo que a Legacy Records fez sobre esse cinqüentenário no ano passado:



Aqui, um mês depois de gravar, a banda toca "So What" ao vivo:



Naquele mesmo ano, em 4 e 5 de maio, John Coltrane gravou a maior parte do disco Giant Steps, outra pérola. Covardia: 50% das seis músicas gravadas em maio têm 50% da banda fazendo parte do disco do Miles Davis. A música final, gravada em 2 de dezembro, tem 75% da banda vindo diretamente de Kind of Blue.



Charles Mingus nos presenteou com Mingus Ah Um, uma delícia para os ouvidos:



Dave Brubeck começou sua experiência radical com os tempos, no disco Time Out, de onde vem o clássico "Take Five":



E Thelonious Monk fez seu Town Hall Concert, lembrado no New York Times de hoje:



Skindô, skindô pra vocês.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Os heróis e as conseqüências da polarização

Suponho que a maioria dos leitores deste blog não seja formada por leitores de quadrinhos. Talvez vocês tenham ouvido falar nos últimos dois anos de alguns acontecimentos interessantes na Marvel Comics. Eles surgem soltos no noticiário geral, pra quem não acompanha os quadrinhos, mas vistos em seu conjunto fazem uma bela fábula sobre as conseqüências da polarização. Tenho a honra de traduzir algumas dessas histórias.

Qualquer semelhança com o que você lê nas páginas de política, de polícia brigando com polícia, juiz acusando juiz, megaempresários acusados de serem bandidos nadando de braçada no meio da confusão e o governo querendo saber para que "lado" torcem os brasileiros, não é mera coincidência. O gibi é basicamente uma versão fantasiada de como funcionam as coisas no mundo real.

(Se você é leitor de quadrinhos, prossiga por sua conta e risco. Há spoilers. Se você não é, prossiga por sua conta e risco. É nerdismo à caubói, sem gelo. Mas se você tiver paciência pra chegar ao final, pode valer a pena.)

A parte política da coisa começou quando alguns heróis exibidos resolveram aparecer num reality show e trombaram com um bandido explosivo. Eles morreram com a reação do bandido, bem como diversas crianças numa escola ali perto.



O Congresso dos Estados Unidos dos quadrinhos correu para aprovar uma lei a respeito, exigindo que todos os heróis só pudessem agir caso tivessem licença do governo americano. Os que se registrassem receberiam treinamento, uma carteirinha e um salariozinho, além de algumas missões oficiais. Os que não se registrassem seriam caçados e presos.

A Lei de Registro rachou os heróis ao meio. Antigos aliados, como o Capitão América e o Homem de Ferro, ficaram de lados opostos - um contra e o outro completamente a favor do registro. A Marvel, então, propôs aos leitores a seguinte questão: "De que lado você está?"

A Panini chegou a publicar uma edição do Clarim Diário com as notícias da guerra. Foi feita uma enquete entre os leitores sobre de que lado estavam. Pra quem cada um torce?

Os fãs atenderam ao convite e manifestaram suas preferências. Banners foram distribuídos para que cada um pudesse mostrar nos fóruns se estava a favor dos aliados do Homem de Ferro, a favor do registro, ou da turma do Capitão América, contra o registro. Enquanto isso, seus heróis favoritos brigavam entre si. Os pró-registro fizeram as besteiras mais flagrantes, como criar um clone do Thor que acabou por matar um dos heróis, o Golias Negro.

Ao final, o registro venceu e o Capitão América se entregou voluntariamente às autoridades, como bom cidadão. Mas, a essa altura, os superbandidos já estavam nadando de braçada:

    * O Caveira Vermelha, tradicional inimigo do Capitão, manipulou a mente da namorada do herói, Sharon Carter, para assassinar o símbolo da resistência.

    * Como os vilões também deveriam ser registrados junto ao governo, foi criado um grupo especialmente para eles, para fazerem o "trabalho sujo" de caçar superpoderosos irregulares.

    * Esse grupo começou a ser comandado pelo empresário Norman Osborn - que, por acaso, vem a ser o Duende Verde, maior inimigo do Homem-Aranha.

Os Vingadores se dividiram em dois grupos: um chapa-branca, sancionado pelo governo e comandado pelo Homem de Ferro, e um clandestino, caçado pelos ex-colegas e reunido na casa do feiticeiro supremo Doutor Estranho. (Esse clandestino é o que eu traduzo.)

No ponto em que as histórias estão hoje no Brasil, os dois grupos de Vingadores estão começando a observar que, enquanto os heróis estavam muito ocupados brigando entre si, inimigos ainda mais insidiosos se infiltraram entre eles, dos dois lados, e possivelmente deram uma apimentada na briga. Eram os Skrulls, uma raça alienígena de guerreiros derrotados pelos Vingadores nos anos 70.

Os Skrulls têm poderes transmorfos - ou seja, podem assumir a aparência de quem quiserem. Foram os Vingadores clandestinos que os descobriram pela primeira vez, quando enfrentaram o grupo criminoso Tentáculo no Japão. No calor da batalha, um dos membros dos Novos Vingadores matou a ninja Elektra e ela, ao morrer, voltou à forma skrull.


Se Elektra era uma skrull, raciocinou o vingador clandestino Luke Cage, qualquer um poderia ser. Até sua mulher, Jessica Jones. Ou mesmo, e talvez principalmente, Tony Stark, o Homem de Ferro, que ao final da Guerra Civil foi quem mais ganhou poder político e deu o emprego a Norman Osborn.

A Mulher-Aranha desertou dos Vingadores secretos para avisar Tony Stark sobre a ameaça skrull. Stark ficou preocupadíssimo. A divisão entre os heróis tornou-os cegos para isso.

Ao longo de 2008, o grande evento da Marvel nos Estados Unidos, "Invasão Secreta", mostrou como os heróis, enfraquecidos pela divisão causada por eles próprios, enfrentaram o problema.

O evento terminou lá fora na semana passada.

Ao final dele, a lei de registro não foi revogada, então os heróis clandestinos continuam na clandestinidade. Mas o mais chapa-branca de todos os heróis, o Homem de Ferro, agora teve que se tornar clandestino porque o presidente acha que ele não conseguiu desempenhar direito suas funções. Tony Stark passou a ser o homem mais caçado dos Estados Unidos. Tal como o Capitão América antes dele, por sua própria mão.

O novo grande herói oficial, agora, é Norman Osborn, o Duende Verde. Os desdobramentos disso, em 2009, prometem ser muito interessantes: novamente teremos histórias de heróis contra vilões, não mais de heróis contra heróis. Mas, desta vez, os vilões estão oficialmente no papel de heróis (embora o leitor saiba exatamente quem é quem).

No fim, como eu mencionei antes, os quadrinhos da Marvel acabaram virando uma interessante fábula sobre como funcionam e a que leva a lógica da polarização.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

De volta a 1991

(Post escrito longe da civilização, enquanto espero baixar uns emails pesados.)

Recentemente, comecei a resgatar coisas dos meus 14 anos com algum afinco. Primeiro encontrei o primeiro disco da banda Volkana. Depois, resgatei coisas dos Ratos de Porão que eu ouvia na época. Não consigo mais ouvir mais do que meia música por vez, mas a sensação de cantar os primeiros versos de "Terra do Carnaval" é reconfortante. Em janeiro, sai o remaster do meu primeiro disco do Deep Purple, um dia antes do meu aniversário.

Agora, em resposta a um amigo sobre como a gente muda de opinião sobre discos com o passar do tempo, lembrei que lá em casa pega a MTV pior do que se pegava em Porto Alegre em 1991. Como a emissora e a Sky não se entenderam sobre a licença, o sinal saiu do ar. Assim, não consigo ver o programa do grande Cazé, "Quinta Categoria", transmitido nas quintas à noite. Pena, ele é ótimo.

Aí, escrevendo a esse amigo, saiu o seguinte:

    Lembro de quando saiu o disco preto do Metallica. Do auge das certezas dos meus 14 anos, achei um absurdo o Metallica fazer baladinha. Tocava "Enter Sandman" até no rádio, que heresia!

    Tinha também clipe na emetevê, mas pra pegar a emissora em Porto Alegre tinha todo um ritual muito elaborado.

    Ele envolvia, se não me falha a memória, uma antena circular de arame, o canal 13 e tendinite no pulso ajustando a sintonia fina. Depois, tinha que jogar milho de pipoca no chão e dar 13 voltas em torno da TV, dois passos para a frente e um para trás, cantando o seguinte verso: "São Raul, São Raul, pega a MTV ou vai...". Depois, era preciso muita técnica divinatória para adivinhar que música era ou que imagem vinha no meio da chuvisqueira. No fim, a gente se divertia mais sintonizando do que de fato assistindo.

    (Consta que, como a imagem resultante era uma bosta, depois de a raiz quadrada de 1% da população roqueira do Brasil proferir a mesma maldição, a frase "Toca Raul" tornou-se anátema no rock brasileiro, e a reputação do ex-parceiro do Paulo Coelho deu uma volta de 180 graus, deixando de ser o papa do rock nacional pra ser símbolo de tosqueira.)

    Chega de digressão: passados quase 18 anos, hoje eu acho o álbum preto do Metallica um disco absurdamente bom.

domingo, 23 de novembro de 2008

Back to basics

Já repararam como, nos últimos anos, várias manifestações da cultura pop resolveram voltar à origem dos personagens? Os dois filmes mais recentes do James Bond são isso. O filme anterior do Batman, "Batman Begins", tratou disso. Durante anos, fez sucesso a minissérie "Smallville", com as histórias do Superman antes de ser o Superman. Até o Che Guevara antes de ser o Che Guevara apareceu em "Diários de Motocicleta". Das três primeiras partes de Star Wars, nem se fala - até porque é outro conceito.

Nesta semana, li sobre um futuro filme de Jornada nas Estrelas que mostrará o início da amizade entre Kirk e Spock e sobre filmes com os X-Men antes dos filmes dos X-Men. A Marvel Comics, diga-se, investiu pesado nisso no início da década, ao sair de uma pesada crise financeira que quase levou a empresa à falência. Eles apostaram em filmes bem-produzidos (sendo o primeiro o dos X-Men) e numa linha de quadrinhos que recontasse do zero as histórias dos heróis conhecidos - a linha Ultimate, publicada aqui em "Marvel Millenium: Homem-Aranha".

Outra coisa que tenho percebido é a tendência de ressuscitar autores por meio de outros. Já li "The Godfather Returns", escrito por Mark Winegardner - que venceu um concurso feito pela família de Mario Puzo. Agora, saiu no Brasil "A Essência do Mal", de Sebastian Faulks "assinando como Ian Fleming". É uma nova história de James Bond. No caso do Chefão, o estilo de Winegardner não é muito fiel a Puzo - o original era muito mais sutil. Mas o novo autor não faz feio. No caso de Bond, ainda não li pra fazer meu juízo.

Se isso acontece, é porque há demanda, porque agrada. O que vocês acham desse tipo de livro e filme?

domingo, 16 de novembro de 2008

A cavalgada das valquírias


Passei algumas horas hoje procurando material da banda Valkyrien Allstars, que acho que só eu e a Liège Albuquerque conhecemos no Brasil. Parece uma mistura de punk com música tradicional norueguesa. Olha o que são os caras ao vivo, tocando "Å gjev du batt meg" (não pergunte o que significa, porque ando meio enferrujado nas línguas nórdicas):

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Subprime pra comprar um cantinho do inferno


Em dezembro de 1971, após um incêndio no cassino de Montreux durante um show do Frank Zappa, o Deep Purple se trancou num hotel e gravou seu disco de maior sucesso, "Machine Head". Uma das faixas do disco, "Pictures of Home", tem uma estrofe que diz mais ou menos isto:

    Aqui nesta prisão em que eu mesmo me meti
    Dia após dia venho virando
    Um herói, mas ninguém me adora
    Onde é que esconderam meu trono?
    Estou sozinho aqui
    Com o vazio, as águias e a neve
    Inimizades gelando meu corpo
    E gritando com as fotos de casa

Gillan falava do clima da banda e da paisagem de Montreux no inverno. Mas bem podia estar falando da sensação de estar trancado no engarrafamento. O Globo me traz o seguinte título: Lentidão de 195km está acima da média. A Folha Online informa que a "lentidão" (dificilmente engarrafamento) é causada por "excesso de veículos". Não diga.

Olho pela janela e vejo os motoristas trancados em suas prisões de lata, em que eles próprios se meteram em suaves prestações de cinco anos que muitos não conseguem mais pagar. (A foto deste post não é da minha janela e não é de hoje; peguei em outro blog.)

O saldo dos financiamentos de novas prisões não quitadas no Brasil é de R$ 138,6 bilhões, pelo que diz o G1. O risco é o "subprime Pacheco", na feliz definição do Kennedy Alencar. Apavorado, o governo pôs R$ 4 bilhões à disposição das montadoras para mais motoristas comprarem mais prisões de lata. É troco de cachaça, se você olhar com que tenacidade as propagandas tentam vender mais carros para entupir mais as cidades.

Abro uma garrafa de vinho, sirvo uma taça e olho de novo pela janela. Não consigo conter e brado um "CHUUUUUPA, MOTORISTA!!!" Dou uma risada de Vincent Price e coloco o Deep Purple pra tocar. Toco teclado no ar.

domingo, 9 de novembro de 2008

Quinze anos de um final triste

Há 15 anos, neste mesmo dia, ficou cristalinamente claro que minha formação favorita da minha banda favorita não tinha futuro. Tudo por conta de um choque de egos entre meu guitarrista favorito e meu cantor predileto.

A noite de 9 de novembro de 1993 - registrada originalmente no CD e no DVD "Come Hell or High Water" - foi aquela em que a fricção entre Gillan e Blackmore fez surgir o fogo. Ou a água, se preferirem. Blackmore entrou no palco na metade de Highway Star e sumiu no começo de Black Night. Jogou água no câmera. O homem estava com a macaca. O segundo retorno da formação clássica do Deep Purple, em 1993, durou poucos meses. Mas foi o choque necessário para que o Deep Purple resolvesse arejar suas idéias e seguir na estrada, com novos e empolgantes guitarristas: primeiro, Joe Satriani; depois, e até hoje, Steve Morse.

Eu tenho o vídeo (em VHS) e o CD daquela noite. Está longe de ser minha performance favorita do Deep Purple. O DVD é editado com entrevistas em que os quatro remanescentes falam mal do Blackmore - algo como a mais comentada do que vista edição do debate do Lula com o Collor em 1989. A EMI tentou relançar o CD com o show completo, mas em fevereiro do ano passado o Ian Gillan chiou a respeito. Disse ele à BBC:

    "Foi um dos pontos mais baixos da minha vida. De todas as nossas vidas, aliás. De fato, aquela formação só durou cinco ou seis shows depois daquele de Birmingham. Aí, o Ritchie saiu da banda. Desde então, temos 13 anos de estabilidade."

O protesto do Gillan fez efeito. Hoje, você não encontra o DVD de "Come Hell or High Water", novo, por menos de R$ 60 nas principais lojas especializadas. O CD desapareceu feito fumaça. E o CD com o show completo, só em ponta de estoque. No site da Livraria Cultura, custa R$ 90.

Desde a primeira vez em que vi o show, apenas uma parte dele me abre um largo sorriso. Não é nenhuma música do próprio Deep Purple, e sim dos Rolling Stones: "Paint it Black". Eles tocavam isso no início dos anos 70 para o Paice fazer um longo solo de bateria e os outros descansarem um pouco ou talvez irem pra baixo do piano com alguma fã mais empolgada. Em 1993, a música virou uma vitrine dos talentos de cada um dos mestres.

Blackmore esmerilha sua guitarra. Lord põe seus dedos pra dançar sobre o teclado de seu brinquedo favorito. Gillan sorri enquanto surra as congas. Glover, sempre discreto, toca as mesmas duas notas que tocava aos 25 anos pra garantir uma base firme pra piração dos amigos. E Paice bota pra trabalhar os pigmeus percussionistas que traz escondidos sob sua manga. Vá lá que o Blackmore desapareça durante a maior parte do tempo, quando devia trocar solos com o Lord, e volte só no final. Mas aí todos eles estão completamente à vontade fazendo o que sabem fazer melhor.

É esse o Deep Purple para o qual eu tiro o chapéu desde a adolescência:

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O nó da questão

Preocupado com o aquecimento global, o senador Gerson Camata propôs a abolição do terno e gravata obrigatórios como uniforme dos representantes do povo brasileiro. Ele disse ter-se inspirado em experiência da ONU, que ao flexibilizar o uniforme permitiu aumentar a temperatura do ar condicionado e reduzir a emissão de gás carbônico em 300 metros cúbicos diários.

Colegas seus estranharam, na lógica do hábito que faz o monge. A senadora Marisa Serrano disse: "é estranho a gente ter parlamentares sem terno e gravata." Tião Viana disse que é a favor de tirar a gravata nas comissões temáticas, mas em sessões plenárias e reuniões especiais o pedaço de pano tem que ser obrigatório.

A proposta já estava prestes a ficar no meu arquivo do fait-divers quando a coisa ficou séria, pelo que vejo na Agência Senado.

Com o mesmo tom grave usado para defender que ninguém tem nada que mexer na lei da anistia, o presidente do Senado, Garibaldi Alves, declarou que é preciso estudar com cuidado essa questão da gravata.

    -- Creio que a obrigatoriedade do terno e da gravata precisa passar por um período de transição. Se isso for mudado rapidamente, vai haver um choque visual. Vão aparecer camisas esporte e vai terminar havendo uma liberação geral. Vou conversar com o Camata e conhecer melhor suas intenções, seus critérios.

A obrigatoriedade da gravata no Congresso já gerou algumas situações hilárias. Em novembro, naquele calorão todo, o senador Heráclito Fortes precisou pedir emprestada ao seu motorista uma gravata para poder subir ao plenário numa sessão não-deliberativa e discursar para todos os quatro colegas que lá estavam. O discurso, que versou sobre gravata, CPI das ONGs e a incorporação do Banco do Piauí pelo Banco do Brasil, ficou registrado para a posteridade no site do Senado. Foi um dos poucos discursos na história do parlamento em que mais da metade dos presentes conseguiu fazer apartes. Ele começa assim:

    O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM ¿ PI. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) ¿ Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, antes de falar, quero, por dever de justiça, congratular-me com os Senadores presentes: Simon, Mozarildo, Botelho e V. Exª, Senador Geraldo Mesquita. Quero louvar o fato de estarmos aqui, realizando esta sessão, nesta sexta-feira imprensada.
    Quero revelar, meu caro Fonseca, decano desta Casa, que não acreditei muito nesta sessão, tanto que vim com roupa esporte. Aí, tive de improvisar, Senador Simon: pedi emprestada a gravata ao meu motorista, Guilherme ¿ meu motorista há 20 anos ¿, para poder estar aqui ao lado de V. Exªs.

    O SR. PRESIDENTE (Geraldo Mesquita Júnior. PMDB ¿ AC) ¿ Mas V. Exª ficou muito bem.

    O Sr. Pedro Simon (PMDB ¿ RS) ¿ Cá entre nós, é uma gravata de Senador a do seu motorista. Meus cumprimentos.

    O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM ¿ PI) ¿ Pois é.

    O SR. PRESIDENTE (Geraldo Mesquita Júnior. PMDB ¿ AC) ¿ V. Exª ficou muito bem.

    O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM ¿ PI) ¿ É o costume, é a companhia. Para V. Exª ver, Senador, que, às vezes, a boa companhia revela o que é positivo para quem a escolhe.
    Eu, por exemplo, tenho apenas de me orgulhar de ter procurado, ao longo de toda a minha vida pública, ser amigo de V. Exª. Não tive decepção alguma e nenhum momento de arrependimento.

    O Sr. Pedro Simon (PMDB ¿ RS) ¿ Na verdade, tenho uma emoção muito grande pela amizade que temos há tanto tempo. Para mim, é uma alegria muito grande. Digo sempre que, nas horas mais difíceis, mais dramáticas, V. Exª foi um dos que botou a cara para ser batida: colocou a sua casa à disposição do comitê do Dr. Ulysses e, quando a maioria fugia, V. Exª estava ali presente. A nossa amizade é muito profunda. A única coisa com a qual não concordo é que, em termos de vestuário, V. Exª só teve o que perder comigo. Ainda bem que V. Exª não me copiou, porque, senão, não teria essa elegância que tem hoje.

    O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM ¿ PI) ¿ Antes de perder com V. Exª no vestuário, tenho de perder no peso, mas, infelizmente, a gulodice é maior do que a força de vontade, e eu entrego os pontos.

Mas nem sempre a observação do uso da gravata garante trânsito no Legislativo. Não, não, não senhores. Por exemplo: há um ano, a Câmara cancelou uma exposição de fotos no Salão Negro da Câmara dos Deputados. Isso porque uma das fotos mostrava a(o) Rogéria de camisa social e gravata. OK, pouca coisa além disso.

Pra resolver a questão, acho que o Garibaldi devia convocar urgentemente uma comissão parlamentar mista, presidida pelo Clodovil e relatada pelo Pompeo de Mattos. Essa comissão poderia convocar o Henry Sobel como um dos depoentes. Para contribuir com a futura comissão, forneço este link com a história da gravata.

sábado, 1 de novembro de 2008

We will rock you

O caderno "Paladar", do Estadão, publicou quinta-feira um poderoso texto do New York Times sobre um herói-somellier de mangá japa:

    Shizuku Kanzaki prova um Bordeaux Château Mont Perat 2001. Uma gota de suor brilha na bochecha esquerda. Guitarras, Freddie Mercury e toca-discos explodem em sua cabeça.


Parece ou não a reação do ratinho do desenho "Ratatouille" quando mistura sabores na boca?



E a coisa continua:

    "Poderoso", diz ele. "Mas também tem doce derretendo, e uma ponta de acidez que pega de surpresa. É como a voz do vocalista do Queen- doce e rouca, aprisionada em ondas densas de guitarra e percussão pesada."

É algo mais ou menos assim:



Segue em frente com os criadores:

    Não importa que Shizuku Kanzaki seja apenas um personagem de história em quadrinhos, o herói do mangá seriado Gotas dos Deuses, criado e escrito pelos irmãos japoneses de meia-idade. Leitores asiáticos que nunca ouviram falar em Robert M. Parker Jr. escrutinam cada degustação do herói, aprendendo sobre vinhos com palavras e imagens que soariam estranhas a ouvidos tradicionalistas. A série usa imagens improváveis como o quadro Angelus, de Jean-François Millet, para explicar a riqueza de um vinho, e um pântano ao norte de Tóquio para descrever uma safra difícil, mas compensadora. "São imagens que emergem de vinhos que realmente bebemos", diz Yuko Kibaiashi, de 49 anos, criadora da série com o irmão Shin, de 46. "É como um jogo."

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Novos usos para o Excel

O AC/DC fez o primeiro clipe em Excel da história da humanidade. Você pode baixar "Rock'n'Roll Train" aqui. Aceite a macro. As imagens foram todas convertidas em números e letras minúsculos numa planilha.

Afastando a cadeira, fica bem divertido. Olhando de perto, lembra muito as primeiras imagens de mulher pelada que circulavam na rede, muito antes de o MP3 e até mesmo o JPG trafegarem livremente. Elas eram tipo isto aqui. Nerds mais fanáticos chegavam ao ponto de converter o filme "Garganta Profunda" em caracteres ASCII, no tempo em que o YouTube ainda não era nem sonho.

(A internet a lenha, que acessávamos nas madrugadas do Vortex no século passado, tinha lá seu charme de letrinhas verdes.)

Uso e pesquiso os usos do Excel há uns 10 anos. Há quatro anos eu ensino os outros a usar. Mas nunca tinha visto o programa ser usado desse jeito.

sábado, 25 de outubro de 2008

Gonna make you sweat, gonna make you groove

O Robert Plant não quis fazer a turnê com o Led Zeppelin pra fazer turnês com a Allison Krauss, a cantora de bluegrass com quem ele gravou o disco "Raising Sand" no ano passado.

Compare os dois vídeos abaixo. O primeiro tem ele com a nova colega. O segundo tem ele com os velhos colegas. Eu, pessoalmente, acho muito mais interessante o trabalho novo. Do velho eu já sei o que esperar (e adoro). O novo me fez vibrar como um torcedor na hora do gol. Várias vezes.



Chame como quiser

No final dos anos 60, começo dos anos 70, Miles Davis pendurou o comedimento atrás da porta, junto com a gravata, e incorporou elementos do rock em sua música. É uma fase pouco apreciada, mas que cada vez me fascina mais. A mim, aquela ferocidade de improviso elétrico lembra muito o que o Deep Purple e o Led Zeppelin faziam ao vivo na mesma época.

Exatamente agora, estou assistindo ao show da banda de Davis no festival da Ilha de Wight, em 29 de agosto de 1970. Reza a lenda que ele só não gravou com Jimi Hendrix (que tocou no mesmo palco no dia seguinte) porque o mago da guitarra morreu antes - dia 18 de setembro daquele ano.

O que estou assistindo faz parte do DVD "A Different Kind of Blue", que de quebra traz entrevistas com todos os sobreviventes daquela banda. Ao todo, o show tem 38 minutos - divididos no YouTube em quatro vídeos. Vejam abaixo o que foi a coisa. Conseguem identificar o ex-ministro Gilberto Gil na platéia em certo ponto?







sábado, 18 de outubro de 2008

Rendimento líquido

Quando o dólar começou a se desvalorizar por conta da crise no mercado imobiliário americano, os investimentos passaram para as commodities. Que ficaram tão caras que geraram prosperidade no Brasil e preocupações em países mais pobres, por conta do preço dos alimentos. Agora, com a quebradeira toda incluindo as commodities, ninguém mais no mercado financeiro sabe para que lado a coisa vai.

Mas um mercado não sofre crise, segundo esta notícia da France-Presse: a bolsa de uísque.

    O Índice Mundial do Uísque deu lucros em média de 26,2% aos clientes desde sua criação há 11 meses, segundo seu artífice, Michel Kappen, um ex-investidor bancário.

    "Temos vários clientes que dizem que já não querem saber de nada dos mercados de valores porque perderam muito dinheiro. Eles acham este tipo de investimento mais honesto: obtém exatamente o que pagaram, podem ver o produto, que é físico", afirmou.

    Desde que foi lançado em novembro passado, este negócio atraiu mais de dois milhoes de euros em investimentos, com transações que oscilam entre 1.000 euros e 1,5 milhão de euros.

    Os clientes compram garrafas de uísque raro ou originais de puro malte no Índice Mundial do Uísque, e podem comercializar e especular. "Além do mais, se a pessoa não quiser vender seu uísque, sempre pode bebê-lo", conclui Kappen.

Faz sentido, obviamente. Nos anos 30, quando os EUA estavam sob o efeito da Grande Depressão e o governo decretou a proibição à venda de álcool, quem mais ficou rico foi quem fazia bebidas alcoólicas para vender no mercado paralelo. Porque, nessas épocas de incerteza, muita gente que está com o seu na reta alivia as tensões com o cachorro engarrafado do Vinicius de Moraes.

E valoriza mesmo: há um ano e pouco, um colecionador pagou cerca de R$ 110 mil por uma garrafa de 1850 de um Bowmore single malt. Mas essa está muito além da conta, porque é muito antiga mesmo.

No site do World Whisky Index, a garrafa mais cara também é de um Bowmore 38 anos, de 1957 - esta aqui. Custa mais ou menos R$ 5.500. Vai um gole?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Meu nome é patrono

Duque de Caxias é o patrono do Exército. Foi ele quem comandou as forças brasileiras durante a Guerra do Paraguai.

O marechal Cândido Rondon é o patrono das Comunicações do Exército. Ele implantou 8 mil km de linhas telegráficas no território nacional e na faixa de fronteira.

Santos Dumont é o patrono da aviação. Foi ele quem inventou o avião.

Agora, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou a nomeação de Enéas Carneiro como patrono da Eletrocardiografia no Brasil. Falta o Senado aprovar.

O falecido deputado ficou famoso por aparecer na televisão gritando em ritmo de narração de futebol discursos de 15 segundos sobre a soberania nacional, a bomba atômica e a bauxita refratária, arrematando tudo com o bordão "Meu nome é Enéas". Concorreu a presidente três vezes, mas em 2002 ele se elegeu deputado federal com um milhão e meio de votos. Por obra das bruxarias matemáticas da lei eleitoral, levou de carona para Brasília cinco políticos malvotados - entre eles, três sanguessugas.

Ah, sim. O motivo de virar patrono.

Em 1977, ele escreveu o livro "O eletrocardiograma". Em 1987, dois anos antes de se tornar conhecido dos brasileiros na primeira campanha presidencial pós-ditadura, lançou uma obra com o criativo título "O eletrocardiograma: 10 anos depois". O livro era referência nas faculdades de medicina. (Grato, Jackeline.) Mas até aí, nem por isso José Paschoal Rossetti é o patrono da economia no Brasil, até onde eu lembre.

Não, a Câmara não tem nada melhor pra fazer. Que mania, essa de vocês!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

"Gente, eu podia tá roubando, podia tá matando..."

Você já foi abordado em suas viagens de ônibus por pedidos de dinheiro vindos de diversos hare krishnas, crianças, vendedores de chiclete, ex-presidiários, mães desesperadas, avós aflitas e gente com problemas de saúde de toda sorte.

Agora, isto aqui ainda não tem no Brasil:

    A polícia de Bucareste está à procura de uma dançarina de pole dance que tem interferido na rotina da cidade. A jovem, descrita pelos passageiros como "bem-vestida, atraente, e uma possível estudante", se apresenta dentro de trens que trafegam normalmente pela cidade, segundo informou o diário online Ananova.

    Aparentemente, a mulher apresenta-se somente quando o trem faz viagens relativamente longas entre estações mais distantes e a capital romena.

    Em um aparelho de CD portátil, a dançarina coloca para tocar "You Can Leave Your Hat On", de Tom Jones. Ao som da música, ela começa a tirar a roupa e dançar ao redor de um dos mastros do trem.

    Em seguida, ela veste-se novamente e passa pedindo que os passageiros depositem algum dinheiro em um recipiente.

    Um passageiro registrou o "show" em seu telefone celular. Porém, a polícia afirma que a jovem parece escolher somente trens sem a presença de guardas ou circuitos de TV. Os agentes tentam agora prendê-la em flagrante.

Fica a idéia para a SPTrans. Pode amenizar o stress do engarrafamento.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A explosão do prurido das cordas

A prestigiada revista de música orquestral Audiophile publicou uma nota sobre o novo trabalho do compositor Jon Lord: "The Boom of the Tingling Strings". O disco mereceu cinco estrelinhas.

Lord foi o tecladista que fundou o Deep Purple, há 40 anos. Tocava seu Hammond até com os joelhos e pés. Em 2002, aposentou-se para se dedicar à composição de música orquestral. Sua primeira aventura nesse campo foi em 1969, com o Concerto for Group and Orchestra, em que ele fundia guitarras e oboés no Royal Albert Hall. Durante toda sua carreira, Lord foi um cara que demonstrou na prática que não existe esse negócio de gêneros musicais: existe música boa e existe música ruim, e ele só faz música do primeiro tipo.

No novo trabalho, ele evoca Bach, o jazz e um poema de D.H.Lawrence chamado "Piano":

    vejo uma criança sentada debaixo do piano, na explosão do prurido das cordas
    E pressionando os pequenos, suspensos pés de uma mãe que sorri enquanto ela canta.

Na entrevista abaixo, dá para ouvir a explosão do prurido das cordas entre uma fala e outra. Bom proveito.

Gente como a gente

O diretor de cinema Fernando Meirelles, que foi teve sua adaptação do Ensaio sobre a Cegueira aplaudida em Cannes, é uma figura muito interessante. Tropecei com ele na rua algumas vezes, desde a filmagem. Li algumas entrevistas dele. Ele sempre parece um cara que sabe fazer e curte o que faz, mas não é grandiloqüente a respeito e fica sem jeito com aplausos e puxação de saco. É um daqueles caras pra quem a gente fica com vontade de pagar um chope no Filial quando o vê, mas sabe que ele vai ficar constrangido com isso.

Pois ele assistiu ao filme ao lado do José Saramago, autor do livro. Imaginem o cagaço. O vídeo abaixo mostra o que aconteceu depois que o filme terminou e as luzes se acenderam. Repare no jeitão dele.

domingo, 4 de maio de 2008

Longe do chão

A banda Pedra é uma das boas surpresas de São Paulo. É uma banda pouco conhecida, porque não toca em novela e nem em FM. Mas já gravou dois discos, e o mais recente pode ser baixado no site deles. A Pedra tem um grande guitarrista (meu amigo Xando Zupo), um baita baterista (o glorioso Ivan Scartezzini) e dois outros ótimos músicos que só conheço de ouvir em gravações. Vejam só o que é a qualidade do trabalho deles neste clip feito em Londres: