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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Dissecando a Lei Seca

O economista Claudio Shikida, do De Gustibus, costuma ter uma abordagem bastante interessante sobre diversas questões. Ele aplica os instrumentos de raciocínio da boa pesquisa econômica para estimular a reflexão - mais ou menos à mesma maneira que os autores de Freakonomics, embora sem dispor de uma coluna no New York Times. Acompanho bastante o trabalho dele, pela internet.

Com alguns de seus colegas, Shikida escreveu um e-book analisando a Lei Seca. Ele deverá estar disponível hoje em seu site: http://shikida.net

No resumo dele:

    Aborda-se perguntas como: quais os custos? Quais os benefícios? Quais as dificuldades em se mensurar seus impactos? Quais as consequências não-intencionais desta nova lei? Qual o papel do Estado? Enfim, e resumidamente, perguntamo-nos "a quem realmente servem os bafômetros"?

    Dada a - bastante óbvia - relevância do tema, não apenas no aspecto de saúde pública, mas também na delicada questão acerca das liberdades individuais - na qual o "chopp" ou o "vinho" é um mero, embora saboroso, detalhe - penso que a discussão é mais do que importante. Adianto que, de maneira verdadeiramente plural, não há conclusões definitivas, mas o leitor encontrará muita informação relevante para sua reflexão, bem como uma ou outra proposta.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Sobremesa

Gosto de ler sobre música, até por não ter talento musical nenhum (participação especial cantando Deep Purple em bar de rock conta como talento?). É meu jeito de tentar captar como meus músicos favoritos fazem a mágica que fazem.

Hoje, ao invês de tomar um café e comer um brigadeiro na sobremesa, passei na livraria e trouxe o livro "A Love Supreme - a criação do álbum clássico de John Coltrane", escrito por Ashley Kahn. Coloquei o CD A Love Supreme, um dos meus favoritos no jazz, e me reclinei no sofá pra ler. Até o disco terminar, foram-se os dois primeiros capítulos numa lufada só.

Eu já conhecia relativamente bem o trabalho do escritor há quatro anos, desde que li o livro semelhante que ele escreveu sobre a gravação de Kind of Blue, do Miles Davis. Há dois anos e meio, também, li um pouco do trabalho dele no encarte do disco do Coltrane com o Thelonious Monk no Carnegie Hall.

Minha única reclamação: os livros nacionais ainda são mais caros que os publicados em inglês. No caso do livro do John Coltrane, a versão nacional custa R$ 44 e a importada custa R$ 28. No do livro do Miles Davis, a nacional custa R$ 43 e a importada R$ 37.

Não reclamo de a importada ser mais cara - não tenho nenhum problema em ler em inglês. O problema é que livro brasileiro é caro. É caro porque vende pouco, mas também vende pouco por ser caro. Concorrer com o original não é exatamente um bom negócio.

Como leitor, tradutor (ainda que de quadrinhos) e possível autor de livros, acho que isso é um tiro no pé das editoras.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Doidonomia

Cláudio Shikida, economista e sensei do blog De Gustibus Non Est Disputandum, acaba de colocar no ar o segundo e-book inspirado em Freakonomics.

O livro americano, que se tornou popular no mundo todo, mostra exemplos do uso das ferramentas de análise econômica para o estudo de fenômenos da política, da sociedade, do comportamento ou do que mais se quiser. Baixe abaixo os dois livros.


Falta apenas alguma editora brasileira se aventurar a publicar em papel. Eu sugiro até o título: "Doidonomia".

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

"O Poderoso Chefão" e a pirataria

Acabei há pouco de ler o livro "O Poderoso Chefão", de Mario Puzo. Ele dá perspectiva e aprofundamento ao que é mostrado no filme. Nos últimos dois finais de semana, minha diversão foi acompanhar no DVD as cenas que tinha lido durante a semana no livro.

Puzo fez uma pesquisa razoável para fazer o livro. Em "Honor Thy Father", Gay Talese conta a história de mafiosos da vida real - da família Bonanno, existente ainda hoje - e relata como eles reagiram quando o livro de Puzo foi lançado:

    Ele [Bill Bonanno, filho do mafioso Joe Bonanno] tinha ficado acordado metade da noite lendo um livro que trazia nas mãos, um romance sobre a máfia chamado "O Poderoso Chefão". Estava lido até a metade, e até aquele ponto ele havia gostado muito, imaginando que o autor, Mario Puzo, havia tido acesso à sociedade secreta. Bill achara o personagem central do livro, Don Vito Corleone, uma figura verossímil, e imaginou se o nome havia sido inspirado em "Don Vito" Genovese e na cidade de Corleone, que era no interior do oeste da Sicília e a sudoeste de Castellamare. Bill acreditava que seu pai possuía muitas das qualidades discretamente sofisticadas que o autor tinha atribuído a Don Corleone, e ainda havia elementos do personagem que faziam Bill lembrar do falecido Thomas Lucchese. Lucchese, na vida real, como Don Vito Corleone no romance, tinha amigos influentes nos círculos políticos dos Democratas em Nova York durante os anos 1950, homens que teriam feito favores especiais em troca de generosas contribuições políticas (...).

    Os sicilianos descritos em "O Poderoso Chefão" - não apenas Don Vito Corleone e seu filho Michael, que fizera faculdade (e com quem Bill se identificava), mas também outros personagens - eram dotados de quantidades impressionantes de coragem e honra, características que Bill estava convencido de estarem se deteriorando rapidamente na irmandade. O romance se passava nos anos imediatamente posteriores à II Guerra Mundial, e naqueles anos a Máfia era provavelmente como o autor a descrevera; e, conforme Bill continuava a ler o livro, ele se tornava nostálgico por um período que ele pessoalmente nunca conhecera.

No "Chefão", em certo ponto, Puzo descreve um dos negócios da família Corleone: pirataria de discos, já nos anos 40. No livro, o consigliere Tom Hagen explica que a idéia de Don Vito era basicamente ferrar seu afilhado Johnny Fontane, um cantor de grande sucesso e que vendia muitos milhares de discos. A pirataria tirava dinheiro do bolso do afilhado. Como queria Don Vito, porque quem mandou Fontane deixar a mulher? Mais tarde, logo depois de o cantor aparecer no casamento de Connie Corleone, Don Vito cancelou o negócio.

O personagem de Fontane é claramente inspirado em Frank Sinatra - pela carreira descrita, pela época de auge e pela ligação com a Máfia. Sinatra, pelo que se afirma com base em documentos da época, era ligado a um gângster paternalista chamado Willie Moretti.

Em 1943, assim como Michael Corleone conta ter ocorrido com Johnny Fontane, Sinatra tentou quebrar seu contrato com o conjunto no qual tocava, e não conseguiu. Moretti fez uma oferta que o líder do conjunto não podia recusar, enfiando o bocal de um trombone na boca dele, e obteve a rescisão do contrato de Sinatra/Fontane por um dólar. Mas o produtor de cinema Harry Cohn, que quase se recusou a colocar Sinatra em um filme, nunca acordou com uma cabeça de cavalo em sua cama.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Na mão grande

Não sou fã de listas dos melhores disto e melhores daquilo, porque sempre deixam coisas boas de lado. Mas sou apaixonado por música.

Vi hoje na livraria ao lado de casa o livro "1001 discos para ouvir antes de morrer", de Robert Dimery. Folheei, indo direto ao índice onomástico. Não consigo deixar de procurar o Deep Purple - que na minha vida ocupa o lugar reservado pela média dos cidadãos de bem ao futebol.

    Blackmore, Ritchie - 205, 256, 262
    Gillan, Ian - 205, 256 e 262

Na 205, tem o In Rock (1970), onde o Deep Purple escancarou as portas do rock pesado. Na 262, tem o Made in Japan (1973), um dos melhores discos ao vivo de toda a história do rock, onde o Deep Purple provava tudo o que sabia fazer. Na 256 tem... o disco Construção, do Chico Buarque.

Alguma coisa estava errada ali. Será que o livro original tinha o Chico Buarque? Será que a edição brasileira colocou o Chico no lugar de um disco do Deep Purple?

Se a lógica do livro é cronológica, entre os dois discos que entraram estaria o Machine Head (1972), disco mais vendido de toda a história do Deep Purple, gravado em Montreux e que tem pela primeira vez a gravação de "Smoke on the Water". Há um belo documentário sobre como o disco foi produzido. Ou seja, fez história.

Resolvi conferir e pesquisar na internet. Encontrei a lista completa dos discos representados no livro original. Lá estava o Machine Head. Não estava o Construção.

Não achei, mas também não procurei, nenhuma menção sobre alterações na edição brasileira. Mas podiam ter um mínimo de cuidado para não deixar pistas no índice onomástico.

Na era da informação, exige-se muito mais cuidado de quem edita informação. Porque as pontas soltas aparecem com bem mais facilidade.

domingo, 7 de outubro de 2007

Desigualdade cultural

Ao relatar sua experiência nos Estados Unidos, no livro "América", Monteiro Lobato cunha uma de suas mais famosas frases ao contar como é a Biblioteca do Congresso: "Um país se faz com homens e livros". Mas ele não pára aí - segue o raciocínio:

    Com homens e livros. Nos livros está fixada toda a experiência humana. É por meio deles que os avanços do espírito se perpetuam. Um livro é uma ponta de fio que diz: "Aqui parei; toma-me e continua, leitor".

Mr.Slang, o carismático personagem criado por Lobato em "Mr. Slang e o Brasil", explica o porquê de haver defronte ao Congresso americano uma das bibliotecas mais completas do mundo (veja aqui seu acervo):

    Parece que a idéia foi não permitir excusa de ignorância aos legisladores. Com tal base de experiência humana ao alcance, caso não legislem a contento não será por falta de meios informativos. O "não sei", o "não sabia", fica desse modo proibido. Esta imensa mole de livros, deliberadamente ereta diante da casa dos legisladores, põe-nos em bem dura situação. Talvez a malícia de Lincoln haja colaborado nisso...

Bota malícia nisso. Lincoln não dava ponto sem nó. Brad Meltzer, um dos melhores escritores de quadrinhos da atualidade (leia Crise de Identidade, recém encadernada pela Panini Brasil), é antes de mais nada um ótimo escritor de romances policiais. Seu livro mais recente, "O Livro do Destino" (baixe aqui o primeiro capítulo), foi lançado há pouco no Brasil. Nele, Meltzer intercala uma sólida trama policial com detalhes arcanos do planejamento urbano de Washington. Este inclui simbologias para todo lado - cortesia de Lincoln.

Mas não é esse o assunto de hoje.

Na edição brasileira, o livro de Meltzer custa R$ 49,90. Não é exatamente barato, apesar de ser um livro muito bom. Se você lê em inglês, porém, pode encontrar a mesma obra, em "paperback" (formato pequeno, impresso em papel jornal), por R$ 21,01. Eu achei em promoção e paguei R$ 16,80. Se você preferir, pode comprar no site uma cópia já lida por R$ 10,51 - ou pouco mais de um quinto do preço do nacional. Com a vantagem de não estar exposto a eventuais erros de tradução.

Tudo bem, você pode argumentar: é um livro de entretenimento, de consumo rápido. Eu li as mais de 600 páginas em três dias. Mas livros mais sérios também obedecem aos mesmos padrões.

Um dos mais interessantes livros sobre economia lançados nos últimos anos é "Freakonomics", de Steve Levitt e Steven Dubner. Eles usam as ferramentas da análise econômica para analisar fenômenos da sociedade, com rigor e humor. O Shikida adota em suas aulas de economia. Eu adoto nas minhas aulas de jornalismo investigativo.

A edição brasileira, publicada em 2005, custa R$ 52 e tem 266 páginas. A que eu tenho em casa não é essa: é a edição britânica, publicada em paperback neste ano. Além do texto original, ela dispõe de uma reportagem de Dubner na New York Times Magazine sobre Levitt e de alguns outros artigos da dupla. Custa R$ 22,01 - menos da metade do preço da nacional.

No Brasil, lê-se pouco mas lê-se bonito. Todas as edições brasileiras, inclusive as populares e de bolso, são impressas com capricho em papel resistente. Isso faz com que seus preços dificilmente baixem de R$ 15. Ou pouco menos do que eu paguei em cada compra de livro.

Assim, se você resolver ir à livraria com R$ 52 no bolso para comprar o "Freakonomics" nacional, pode ir para casa levando uma versão ainda melhor do livro, um ótimo livro para tardes chuvosas e ainda por cima tomar um expresso com coxinha.

Claro, para isso você precisa atender às seguintes condições:

1) Ter o hábito de ler e garimpar livros;
2) Ter os R$ 52 no bolso;
3) Virar-se confortavelmente com a língua de Ian Gillan.

Isso, devo dizer, é a minoria da minoria da minoria. Não que eu esteja reclamando disso - acho ótimo pagar mais barato por uma versão melhor de um ótimo livro. O que me intriga é por que diabos os livros brasileiros são tão caros.

Somos um país de semi-analfabetos. Embora o acesso à educação venha aumentando, isso não se reflete na qualidade do ensino. Há uma pesquisa interessante sobre isso, do Instituto Paulo Montenegro, ligado ao Ibope. Entre os brasileiros com ensino médio ou mais do que isso, em média 6% são alfabetizados mas mal conseguem identificar as palavras do que lêem. Dentre os que têm da 5ª à 8ª série, mais de 24% só fazem isso.

Ou seja: esse pessoal sabe ler o bastante para identificar palavras mas não consegue compreender textos inteiros. Isso é a definição clássica de analfabetismo funcional.

A circulação dos grandes jornais hoje é menor do que um terço do que já foi em 1996. Naquele ano, uma edição dominical da Folha tirava mais de um milhão de cópias. Hoje, se tira 400 mil, é de se comemorar. Nos livros está o fio da meada que dá substância ao conhecimento, nos jornais está um certo grau de acompanhamento do que fazem os servidores públicos que elegemos.

Necessariamente esse alheamento redunda em uma queda na qualidade da política nacional. Não apenas na qualidade dos representantes, mas na vida política como um todo - que se manifesta em coisas corriqueiras, como a escolha do meio de transporte a usar para ir ao trabalho, e em coisas "maiores", como protestos contra políticas de governos.

Ocorre que nossa elite econômica não é necessariamente origem e nem destino da elite cultural. Esta, por sua vez, muito dificilmente é origem ou destino da elite política.

Ainda outro dia, comentando com amigos sobre o famoso movimento "Cansei", eu comparava o barulho que fizeram ao choro de um bebê. Ele manifesta uma inquietação legítima, embora a criança não saiba dizer se chora de fome ou por estar com a fralda suja. Aos poucos, conforme aprende um pouco mais sobre os caminhos da vida, poderá pedir mamadeira ou penico. Mas pra isso é preciso um grau a mais de informação.

Se um país se faz com homens e livros, como escreveu Lobato, vai demorar para termos um país que se preze.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Onde chega o DVD pirata

Populares pelo baixo preço, os DVDs piratas de filmes e jogos são altamente lucrativos, visto que o custo é basicamente só o de comprar o disco virgem e copiar. No Brasil, temos o caso recente do filme Tropa de Elite, que virou um sucesso antes de ir parar no cinema. A Época fez as contas:

    Pelo menos 5 mil cópias ilegais são vendidas diariamente apenas no Rio. A Delegacia de Proteção aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial apreende cerca de 200 cópias por dia só na capital fluminense. “Eu vendo dez por dia, mas já vendi até 50, logo que chegou. Filme nacional não vende tanto, mas esse foi muito bem”, diz um camelô que cobra R$ 10 a cópia. Na internet, os números também impressionam. Na quinta-feira, 728 internautas baixavam o filme nos quatro principais sites de downloads ilegais. Há 76 mil sites oferecendo o filme. Multiplicando-se essa “numeralha” por 60 dias, chega-se ao seguinte: 43 mil cópias baixadas da rede de apenas quatro sites; 300 mil DVDs vendidos só no Rio de Janeiro. O filme também rendeu duas “continuações” piratas. Tropa de Elite 2 é, na verdade, o documentário Notícias de uma Guerra Particular, de João Moreira Salles. Tropa de Elite 3 é uma produção pirata com uma colagem de imagens de operações do Bope e tiroteios entre polícia e bandidos veiculadas em telejornais.

Se 300 mil DVDs foram vendidos a R$ 10 só no Rio de Janeiro, apenas lá arrecadou-se R$ 3 milhões com a venda do disco. Não sei se o cálculo leva em conta o arrecadado pelas "continuações". Em São Paulo, o filme também está à venda.

Para onde vai esse dinheiro todo? Uma reportagem investigativa da BBC dá algumas pistas. Ela se refere à cadeia produtiva inglesa, obviamente.

Lá, os DVDs piratas são copiados por imigrantes chineses ilegais que trabalham em condições semelhantes às de escravidão - tal como os bolivianos das confecções de São Paulo que abastecem redes como a C&A, segundo CPI da Câmara Municipal. Na Inglaterra, um dos chineses acusados de contrafação de DVDs ouvidos pela BBC disse que entrou no negócio para pagar uma dívida que tinha com uma gangue de tráfico de seres humanos, que ele chama de "cabeças-de-cobra".

Esses criminosos estariam, por sua vez, ligados a um chinês chamado He Jia-Jin, ex-presidente da associação chinesa da Chinatown de Londres. Ele atualmente responde a processo por lavagem de dinheiro em Hong Kong. Em 1999, foi acusado na Grécia de comandar um esquema de contrabando de pessoas. Nega todas as acusações.

O jornalista Moisés Naím, no ótimo livro "Ilícito", traz alguns dados interessantes:

    * Desde o início dos anos 90, com diversas tecnologias ficando mais baratas, populares e integradas, o comércio de produtos falsificados cresceu 800%, segundo a Interpol;

    * Na Espanha, a produção e distribuição de 1kg de CDs e DVDs piratas rende cinco vezes mais do que a venda de 1kg de haxixe;

    * A Rússia exporta CDs piratas para 26 países;

    * O ator Dennis Hopper comprou certa vez, em Xangai, um DVD pirata de um filme em que atuou - com cenas que gravara dois dias antes;

    * Os suspeitos dos ataques a bomba em Madri, em 2004, financiavam sua operação com a venda de CDs piratas;

    * Há evidências de que gangues tradicionais do crime organizado, como as chinesas e russas, incorporaram o tráfico de pirataria cultural a seus negócios - seguindo as mesmas rotas do tráfico de drogas.

Ainda não assisti ao "Tropa de Elite" - vejo no sábado, e então comento. Soube no que li e ouvi a respeito que ele embute uma crítica aos usuários de drogas da classe média, que inadvertidamente usam seus hábitos químicos para financiar o tráfico.

O tráfico de drogas é sem dúvida a parte mais visível do iceberg da economia ilícita. É quase irônico que um filme que traz essa crítica tenha se popularizado em outro tipo de rede que potencialmente pode estar sendo usada financiar o crime organizado e o próprio tráfico de drogas.

Como ela funciona no Brasil? Eu não sei. Não lembro de ter lido nada a respeito. É claro que o camelô que vende DVD é um ferrado na vida - assim como o aviãozinho do tráfico. Não é ele que está ganhando a grana alta com isso. Essa venda mal e mal deve financiar seu orçamento doméstico. É preciso olhar o cara que fornece para ele, e o cara que fornece para este e o cara que financia tudo isso. Aí, no peixe grande, é que mora o perigo. A BBC achou o chinês lá. E no Brasil? Quem são os peixes grandes?

Vai ser difícil sair algo assim feito pela imprensa brasileira. A BBC destacou uma equipe pra investigar a questão por um ano. E a matéria ficou até meio fraquinha se considerarmos o tempo que levou e o peso da rede.