A Polícia Federal divulgou uma lista de 17 cidades e 3 portos por onde mais entram armas no Brasil. Isso está noticiado em O Globo, no Congresso em Foco e em outros sites. Mas só aqui você pode visualizar onde estão as rotas:
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009
A rota das armas
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terça-feira, 7 de outubro de 2008
Frase da semana

"cem arma, cem drogas, cem violência – agradecemos a preferencia e acima de tudo nossa percistencia – é nois"
Bilhete deixado pelos ladrões que furtaram R$ 160 mil de um banco de Três Lagoas (MS), reproduzido pelo G1.
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sexta-feira, 29 de agosto de 2008
A sintonia dos gravatas
Hoje, no Estadão:
- O Primeiro Comando da Capital (PCC) se infiltrou no Congresso, por meio de uma organização não-governamental, para influenciar a CPI do Sistema Carcerário e obter o abrandamento do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Dinheiro não era problema para a principal organização criminosa do País. O lobby patrocinado pelo crime organizado tinha em suas mãos um caixa de R$ 2,4 milhões para bancar viagens, estadas, depoimentos e contatos com parlamentares. Pagamentos de até R$ 100 mil foram feitos para "trabalho realizado junto a uma das CPIs que interessam à facção".
Tratava-se do dinheiro da chamada "Sintonia dos Gravatas", como é conhecido na facção o departamento jurídico do PCC, que emprega cerca de 20 advogados com atuação em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pernambuco. Investigação feita pelo Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual concluiu que a Sintonia dos Gravatas "trabalha para infiltrar o PCC em setores organizados da sociedade brasileira" e "busca infiltrar-se nos Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo".
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segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Produto de exportação
O maior produto exportado pelo Brasil não consta do banco de dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Trata-se de picaretas, mas não do tipo que se usa como ferramenta. Isso fica bem exemplificado nestas notícias dos últimos dias.
Pequim:
- Cinco brasileiros foram presos no último final de semana por venda ilegal de ingressos para os Jogos Olímpicos. A informação foi confirmada hoje (18) à Empresa Brasil de Comunicação pelo vice-cônsul da Embaixada do Brasil em Pequim, Haríolo dos Santos Araújo.
Quatro brasileiros já foram liberados e tiveram a extensão do visto reduzida. Um permanecerá detido por dez dias, por motivo que ainda não foi confirmado, e será deportado assim que for solto. Todos são turistas e estão em Pequim especialmente para os Jogos Olímpicos. Eles foram detidos em diferentes momentos e locais.
O vice-cônsul não forneceu os nomes dos brasileiros nem citou as cidades de origem deles, mas assegurou que todos foram bem tratados, de acordo com a legislação local. Os cinco detidos foram visitados por um diplomata do núcleo de atendimento a brasileiros. “Não foram para uma cadeia, mas para um centro de contraventores”, relatou.
Espanha:
- A Polícia espanhola deteve 84 pessoas, na maioria brasileiros, que faziam parte uma suposta rede que falsificava documentos para entrar e sair de países da União Européia, que eram vendidos a prostitutas por até US$ 745 (R$ 1.200) , para regularizar sua situação como turistas.
A Direção Geral da Polícia e da Guarda Civil informou nesta quinta-feira que 42 dos 84 detidos são acusados de crime de falsidade ideológica, de trabalhar para a organização como falsificadores ou intermediários, ou por terem selos falsificados em seu passaporte.
Reino Unido:
- A Embaixada do Reino Unido no Brasil confirmou nesta sexta-feira, em nota à imprensa, que o país está "considerando a possibilidade de introdução de regimes de visto para 11 nações", entre elas o Brasil, como parte de uma revisão global dos regimes de visto. A embaixada diz que a medida não entrará em vigor antes de 2009.
A nota diz ainda que "tais medidas podem vir a incluir o envio de um oficial de ligação britânico para o país em questão". Esses oficiais trabalhariam junto com agências de turismo, companhias aéreas e agências nacionais de imigração nos aeroportos. O governo britânico afirma que os oficiais não teriam poderes executivos para barrar a entrada de alguém suspeito em um avião para o Reino Unido.
(...) Segundo o Ministério do Interior britânico, esses países foram escolhidos após estudos sobre o grau de perigo que seus cidadãos no Reino Unido podem representar. Os quesitos analisados incluem o uso de passaporte falso, imigração ilegal (número de deportados, barrados nas fronteiras e trabalhadores ilegais), índices de criminalidade, ameaça de terrorismo e a forma como os governos dos respectivos países estão lidando com essas questões.
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segunda-feira, 5 de maio de 2008
"Soares? Fui assaltado, Soares!"
Tentaram me pegar aqui no golpe do falso seqüestro. Toca o celular, ligação a cobrar.
- -- Soares? Fui assaltado, Soares! (Assim mesmo, me chamando pelo sobrenome.)
-- Caramba, meu. Quem é que tá falando? Não tô reconhecendo tua voz.
-- Sou eu, Soares! O cara tá com a arma na minha cabeça!
-- Pô, que merda, hein?
-- O cara tá me ameaçando, Soares!
-- Pena mesmo, não sei quem tá falando. Boa sorte aí.
E desliguei.
Possivelmente foi roubado o celular de alguém que me conhece por alto e coloca meu número no celular pelo sobrenome. Como o número era secreto, não tem como saber de quem roubaram o celular.
No meu celular, eu me identifico apenas pelo sobrenome e todos os meus conhecidos apenas pelo nome. Não tem nenhum telefone identificado como "mamãe", por exemplo.
Nunca tive o celular roubado, mas toda precaução com informações é pouca.
- EDITADO:Da próxima vez, eu conduzo melhor o diálogo. Vou perguntar do que o "amigo" precisa e onde ele está. Quando ele disser, eu respondo: "beleza, tô indo aí com a polícia". E desligo...
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terça-feira, 29 de abril de 2008
Quem disse que o Brasil não exporta tecnologia?
Se você vive no Brasil e não é advogado de jornais que cobrem bem o assunto, certamente conhece o golpe do falso seqüestro. Pois orgulhe-se: o Brasil está exportando a tecnologia. Segundo o New York Times, o golpe do falso seqüestro (e o do falso prêmio) virou um sucesso no México. Deputados já caíram nele.
Funciona assim: criminosos muitas vezes dentro da cadeia, usando celulares, chutam um número de telefone que pode ser o seu. Ligam. Fazem de conta que têm alguém de sua família em seu poder e ameaçam matar se você não der uma grana a eles. Se colar, colou. Se você desconfiar e fizer perguntas básicas (como fez o ministro do STF Carlos Ayres Britto, perguntando qual era o nome de sua filha supostamente seqüestrada), eles desligam e partem à procura de outro. Há gente que cai. Há gente que morre. Há gente que enrola os bandidos.
Um conhecido de Porto Alegre caiu na versão "do bem" desse golpe. Os bandidos faziam sua melhor voz de locutor e diziam que ele tinha ganho um prêmio. Para ganhar o prêmio, precisava comprar créditos de celular e ditar os códigos ao telefone. Isso foi antes de o golpe do falso seqüestro fazer sucesso.
Hoje, já circulam boas informações sobre esse golpe. Mas, se continuam fazendo, é porque continua funcionando. Como funciona, exporta-se a tecnologia.
Na dúvida, se você receber um telefonema com o golpe do falso seqüestro ou do falso prêmio, duvide. Faça como o ministro Ayres Brito, perguntando o nome do ente querido seqüestrado. Se você preferir uma palavra mais oficial, desligue e chame a polícia. Eles saberão orientar. A secretária de um amigo, há alguns anos, estava em estado de choque com ameaças de invasão do prédio e farta distribuição de chumbo até fazer isso. Ficou mais calma.
- (Apesar da brincadeira do primeiro parágrafo, cabe registrar aqui todo o respeito que este blog tem pelo dr. Manoel Alceu, que é um dos homens no Brasil que melhor conhece a lei de imprensa e que quase me causou cãibras nos dedos ao fazer anotações das preciosas informações de uma palestra sua sobre o assunto no ano passado.)
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quarta-feira, 23 de abril de 2008
Rigor no combate ao crime digital
Três rapazes, acusados de roubar senhas bancárias na Operação Colossus, ganharam a liberdade provisória pela pena do juiz Mário Jambo. A única condição: que voltem a estudar e leiam dois clássicos da literatura brasileira a cada três meses, informa a Folha.
Bonito, né? Mas será que é eficiente?
Pelo que eu pesquisei sobre a operação, a quadrilha seria formada por 30 criminosos. Nove deles mandavam e-mails com vírus, desses pega-trouxas que todo mundo recebe todo dia pra ver se cola. (Muita gente boa cai.) Esses vírus roubavam dados de cartões de crédito e senhas bancárias. Outros 21 da quadrilha confeccionavam cartões a partir disso.
Disse o Estadão na época das prisões que a quadrilha era acusada de causar R$ 200 mil em prejuízos para duas operadoras de cartões, quatro supermercados e lojas do Natal Shopping Center.
O coitado aquele que bebeu uma garrafa de pinga de R$ 1,50 sem pagar ficou na cadeia por sete meses. Quem rouba R$ 200 mil é condenado a ler livros bons.
Eu, pessoalmente, não acredito no poder redentor da literatura - por mais que eu adore ler. Se fosse assim, já deveriam ter soltado o Marcola, o líder do PCC, que diz ter lido mais de 3 mil livros na cadeia.
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quinta-feira, 10 de abril de 2008
Mas até as cuecas?
Quem está ligado na história do traficante Juan Carlos Abadía, o Chupeta, sabe que houve um bazar para vender as coisas dele. Ele tinha material muito bom: sapatos importados, jipões... ao todo, a venda rendeu R$ 1 milhão.
Maravilha.
O que me espanta é o fato de terem sido vendidas 130 cuecas dele. Tá, tava baratinho: R$ 1 cada. Mas o que é que alguém pode querer com as cuecas usadas do Abadía?
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quarta-feira, 12 de março de 2008
Como surge o marketing viral - e o que você tem com isso
No ano passado, mais ou menos por esta época, o George W.Bush veio a São Paulo. No meio do protesto contra ele, havia uma faixa dizendo "Fora Arkhos Biotech". Como os caras estavam vestidos de árvore, classifiquei-os como malucos e deixei pra lá. Semanas depois, a questão aparece na lista da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. A empresa aparecia num vídeo da internet, dizendo que queria comprar a Amazônia. Vídeos de "protesto" apareceram. ONGs denunciaram. O senador Arthur Virgílio denunciou a empresa.
Eu olhei cuidadosamente os vídeos e sites e deduzi: é marketing do Guaraná Antarctica (a bebida estava sendo consumida pelos "homens-árvore"). E quer saber? Era mesmo uma campanha de marketing do guaraná - um jogo virtual. Meses depois, o governador paranaense Roberto Requião também caiu no trote. Ainda tem gente que acredita que é verdade, pelo que vi outro dia nos comentários a um artigo meu reproduzido no Observatório da Imprensa.
A essa modernização da fábula do menino que gritava lobo, chama-se "marketing viral" - que se espalha "espontaneamente" por entre os usuários da internet. Sempre fiquei curioso, porém, em saber como começava a se espalhar. Obviamente, o começo da corrente é comprado. Mas como começa?
O Observatório da Imprensa traz hoje um artigo muito interessante dando algumas pistas sobre isso. Um sujeito que tem um blog sobre futebol reproduz um e-mail que recebeu de uma agência de publicidade, propondo uma "parceria". Essa "parceria" consistiria em ele publicar um post positivo sobre o site que a Nike criou em homenagem ao Ronaldo Fenômeno.
Trecho do e-mail recebido pelo sujeito:
- Caso vocês aceitem escrever sobre o Ronaldo e o resultado no blog, comentários e etc., for positivo, em uma outra oportunidade podemos, quem sabe, firmar alguma espécie de parceria, ok? Este post que estamos sugerindo, seria uma espécie de Post Piloto. Dando resultados dessa vez, surgindo novas campanhas pertinentes ao seu blog, poderemos conversar novamente, ok?
A mensagem dava inclusive prazo para a publicação do post positivo. Estes seriam os parâmetros do post encomendado:
- O post consiste em redigir um breve texto falando do fenômeno Ronaldo, suas conquistas no Brasil e no Exterior. O texto deve ser focado no enobrecimento do jogador, que adquiriu, através de suas conquistas, status de `fenômeno´. Dentro deste texto, ou ao final dele, deve ser inserido o link que dará acesso ao site http://nikefutebol.com/ronaldo. Procure motivar as pessoas a transmitir força ao jogador, convidando-os a criar um vídeo de comemoração de um gol, fazendo uso da marca registrada de Ronaldo, que é o dedo indicador direito erguido [há exemplos no site]. Procure também, enfatizar a opção de enviar mensagens diretamente no portal da Nike ou via SMS. O texto deve motivar as pessoas a dar este apoio de uma forma espontânea, fazendo referência à paixão pelo futebol e ao grande jogador Ronaldo.
O autor sugere que os leitores peguem trechos e coloquem no Google. Como estou meio sem tempo, preferi pesquisar só pelo link da campanha da Nike, no Google Blog Search. Vieram 42 resultados. Claro, alguns podem ser gratuitamente espontâneos. Mas vale a pena dar uma olhada nos posts pra ver quantos atendem aos parâmetros.
A Revista Imprensa deste mês traz alguns textos sobre o tal marketing viral. Um deles é uma entrevista com um praticante. Infelizmente, ela não está na íntegra.
Eu, pessoalmente, acho que isso é um convite à desinformação. É o aspecto mais evidente do ambiente atual da informação, em que todos estão tão confusos que a diferença entre propaganda e informação acaba sendo tratada como uma questão de gosto ou de opinião. É a queda do muro entre a sociedade da informação e a sociedade do espetáculo.
Indiretamente, tem tudo a ver com o ambiente hostil à liberdade de imprensa em que a Igreja Universal e o Paulinho da Força arquitetam a pulverização ações na Justiça pra calar a boca da imprensa. Imprensa boa, nesse ponto de vista, é a imprensa que só elogia.
Tendo a ver com isso, tem também a ver com os motivos pelos quais o relator da OEA para Liberdade de Imprensa, Ignacio Alvarez, renunciou ontem e deve deixar o cargo até abril:
- "La vulnerabilidad para el ejercicio del periodismo en las Américas es enorme. Los problemas siguen siendo los de siempre: algunos tan burdos como el asesinato de periodistas, hasta la discusión sobre cuál es el papel del estado en materia del pluralismo y la concentración de propiedad en los medios. (...) Los dos últimos años han sido muy complejos, de avances y retrocesos."
Todos esses são aspectos do mesmo fenômeno, que ainda tem seus contornos meio esfumaçados. Eu, pessoalmente, observo esse panorama com meu pé lá atrás. Caso aceitem conselhos, tenho alguns:
- Não repasse correntes.
- Não apóie qualquer coisa que possa ser marketing viral.
- Desenvolva meios de checar as informações que receber.
A única vacina contra a desinformação é a informação. Nesta época de pluralidade de canais de desinformação, trata-se de uma vacina tão fundamental quanto a da poliomielite. Faltam mais zés-gotinha nesse campo.
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
A verdade está lá fora (das correntes)

A The Economist publicou uma lista das teorias da conspiração mais populares da internet. Vão do 11 de setembro (603 mil resultados no Google) à morte da princesa Diana (165 mil resultados).
E no Brasil, quais são as mais populares? Eu não fiz uma lista delas, mas eu apostaria na da cobiça de Roraima (recentemente enviada duas vezes em um mês para a lista da Abraji) e na do livro-fantasma da Amazônia privatizada. Esta lenda tem 1.230 resultados no Google. Aquela, 1.040.
Peguei algumas das que eu conhecia melhor na lista do Quatrocantos, o melhor serviço de checagem de correntes do Brasil. (Na próxima vez em que receber uma corrente, passe lá ou no E-Farsas antes de repassá-la aos amigos.)
Quais são suas lendas urbanas internéticas favoritas no Brasil? Conte aí, nos comentários!
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sábado, 16 de fevereiro de 2008
Esculhambaram a corrupção
A corrupção na política ficou tão popular, com papos de boteco girando em torno do "ué, vai dizer que você lá não pegava?", que vigaristas têm se especializado em criar uma espécie de golpe nigeriano pra pegar os trouxas que se acham espertos. Em vez da grana do Sani Abacha, a isca é a grana do caixa-dois. Em vez de e-mails empolados em inglês macarrônico, é telefone.
O G1 publica uma curiosa notícia sobre estelionatários que davam golpes dizendo serem especialistas em lavagem de dinheiro de caixa-dois de políticos:
- Alencar Zolin foi preso quando saía de um condomínio de luxo onde mora na cidade de Campinas. De acordo com a Polícia Federal, ele seria o chefe da quadrilha e tinha várias identidades para aplicar um golpe milionário. O alvo da quadrilha eram empresários, prefeitos e vereadores.
As investigações indicam que os estelionatários se passavam por assessores de políticos, diziam que tinham dólares, que seriam de sobras de campanha e que precisavam trocar por reais. Para seduzir as vítimas, ofereciam a moeda americana por uma cotação bem abaixo do mercado.
Para dar mais crédito ao negócio, os estelionatários visitavam as vítimas. É o que mostram as conversas gravadas com autorização da Justiça.
Em uma das gravações, os supostos golpistas estão irritados. Eles comentam que o vereador Félix Alves, de Porto Murtinho (MS), tinha dado R$ 28 mil à quadrilha e queria o dinheiro de volta. Por telefone, o vereador negou que tenha caído no golpe.
De acordo com os investigadores, o grupo agiu nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Brasília, Alagoas, Paraná e Rio Grande do Sul.
Só nos últimos cinco meses, a quadrilha movimentou mais de R$ 5 milhões. Ao todo, a operação da Polícia Federal prendeu oito pessoas, entre elas um policial do Deic, departamento que combate o crime organizado em São Paulo. Outros cinco policiais da mesma delegacia estão sendo investigados.
Mas esse não é, nem de longe, o primeiro caso do gênero. Em agosto de 2006, o Correio Braziliense publicou uma reportagem bem interessante sobre um golpe parecido, em que vigaristas abordavam empresários pedindo dinheiro e prometendo pagar o triplo quando entrasse a grana do caixa-dois. Começava assim:
- O deputado Doutor Ronaldo não é mensaleiro nem sanguessuga. Não participou de nenhum dos muitos esquemas, grandes ou pequenos, descobertos nos subterrâneos do Congresso Nacional nos últimos anos. O senador Guimarães também. Jamais foi flagrado em negociatas com o governo. Mesmo assim, o primeiro está preso desde ontem. O outro, depois de fugir do cerco, ainda é perseguido pela Polícia Federal. Juntos, eles roubaram aproximadamente R$ 4 milhões de pelo menos 60 vítimas, entre pequenos empresários e fazendeiros. As acusações: formação de quadrilha e estelionato.
O deputado Doutor Ronaldo jamais teve votos. Sequer participou de eleição. Na verdade, era um personagem fictício, criado pelo estelionatário Elias José da Silva - morador do Gama, preso ontem, na Operação 3 por 1 deflagrada pela PF - para aplicar golpes país afora. Como em 100% dos casos de estelionato, o crime se amparava na poderosa retórica dos criminosos. No popular, os integrantes da quadrilha só conseguiam sucesso porque eram bons de papo. Tal característica, como se sabe, é comum também aos políticos.
Leiam esse texto do Ugo Braga. É uma aula de jornalismo.
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
A falta que faz o Zulmar
As operações anticorrupção da PF tinham nomes diferentes, poéticos até. "Anaconda", quando era pra dar o bote. "Farol da Colina", quando atacava contas do banco Beacon Hill. Os nomes, segundo a revista Piauí, eram dados pelo delegado Zulmar Pimentel - pelo menos até ele ser preso na operação Hurricane e mais tarde denunciado por fraudes e vazamento de informações.
Desde então, os nomes passaram a perder a graça e ser quase óbvios. "Al Capone", quando foi atacar uma máfia de bebidas. "Carnaval", quando foi no morro da Mangueira. Veja aqui a lista completa das operações até 2007, com suas respectivas descrições.
Na Itália, também falta criatividade. A mais recente de lá é a Operação Bicha. O que ela atacou? Ora, o tráfico de travestis brasileiros. O que mais seria?
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
JG - a pergunta que não quer calar
O Jornal Nacional acaba de destacar as reações de políticos brasileiros à entrevista feita pela Simone Iglesias, da Folha, com o uruguaio Mario Neira Barreiro, que diz ter matado o ex-presidente João Goulart e está preso no RS por roubo e porte ilegal de armas.
É incrível como as coisas precisam sair na capa da Folha pra ganhar repercussão. Há duas semanas, a Folha publicou artigo do Carlos Heitor Cony sobre isso. Mas o Cony é cronista, nunca repercute. Depois, O Globo publicou declarações do mesmo senhor, obtidas pelo filho do ex-presidente, João Vicente Goulart. Repercussão zero. Ou quase.
Mais ainda: em 2002, o mesmo ex-policial deu entrevista a um jornal uruguaio contando exatamente a mesma coisa - mas com foco na repressão lá na Cisplatina. Aqui, zero.
Sempre digo que o maior problema nosso aqui no Brasil é mal conhecer o que se produz de jornalismo no Brasil e basicamente não conhecer o que se produz de jornalismo nos países vizinhos. Eu mesmo tenho esse defeito, mas por acaso essa eu pesquisei antes.
Pra entrar no mérito da coisa, a questão é bastante complicada.
É impossível saber se é verdade ou não o que diz o uruguaio. Há muitos detalhes malcontados na história da morte. Os detalhes dados pelo uruguaio não parecem história de maluco (embora a participação de Fleury na decisão seja discutível, como aponta um biógrafo). Mas será impossível comprovar definitivamente, porque não há prova material.
O relatório da comissão externa do Congresso para investigar o caso concluiu "pela impossibilidade de colocar um ponto final nessa investigação". E realmente é (baixe aqui o relatório). Segundo os testemunhos dados à comissão, o corpo de Jango não foi autopsiado. As pílulas que Barreiro teria dado a Jango há muito foram jogadas no lixo. E ninguém deixa documentos de uma coisa assim, também, exceto por um descuido muito grande.
O filho do ex-presidente é bastante otimista. Tem pressa em ver o caso andar, por motivos óbvios e porque sua família processou o governo dos EUA pela morte de Jango. João Vicente Goulart tem o mérito de ter jogado o holofote sobre o uruguaio. O único problema é quando afirma que "a prova é ele", o uruguaio Mario Neira Barreiro, que até escreveu um livro com o título "Entrevista con un Reo Confeso - Todas las respuestas sobre el asesinato de João Goulart". Mas, com todo respeito ao filho de Goulart, a prova NÃO É o uruguaio. Pelo menos não apenas por si.
Barreiro é concretamente, hoje, basicamente um candidato a réu de uma morte mal-explicada que teria sido um assassinato que não deixou provas porque foi mal-investigado na época e corre o sério risco de estar prescrito atualmente.
Na verdade, o que mais me intriga é a motivação de Barreiro para falar. Ele não disse nada na entrevista à Simone, mas um bom fio da meada para alguém que queira dar uma boa olhada nisso é isto que ele disse ao jornal uruguaio La Republica há alguns anos: que tentou depor à comissão do Congresso que investigou a morte de Jango, na esperança de vir ao Brasil como exilado político, mas o pedido não foi aceito. De fato, em nenhum momento o nome dele é mencionado no relatório.
Outra coisa que me intriga é a menção de um certo "Mário Barreiro" como um dos policiais detidos após o atentado à sinagoga Amia, na Argentina, em 1994 (leia aqui). Se for ele próprio e ele de fato for quem diz ser hoje, isso fecharia no perfil.
Acho que vale a pena ir mais a fundo no caso. Conclusivamente, nunca se vai descobrir nada sobre a morte do Jango em si. Mas é possível descobrir mais sobre o histórico pregresso do uruguaio, que pode confirmar ou refutar as ligações que ele disse ter.
Fora isso, Jango continua sendo nosso Kennedy.
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Virou pó?
Ontem, o Jornal Nacional exibiu uma das reportagens de TV mais bem apuradas a que assisti recentemente. Trata do sumiço de algo entre 102 e 202 quilos de cocaína apreendidos em um avião. Para fazer a comparação entre a cocaína apreendida e a cocaína entregue à Justiça, eles alugaram um jatinho e dispuseram nele pacotes de farinha com o peso que chegou ao Judiciário, para comparar com o material originalmente apreendido. Assista aqui o vídeo.
O piloto que denunciou a polícia, dizendo que transportava 300 quilos, morreu na prisão oito meses depois de fazer a denúncia. Oficialmente, foi por causas naturais.
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Na trilha do spam
O repórter Simon Cox, da BBC, é o responsável por um documentário de rádio muito interessante sobre a cadeia produtiva do spam - aquelas mensagens que entopem nossa caixa postal oferecendo alongadores de pinto, relógios falsos e diplomas universitários a preço de banana.
Ele encomendou um vidro de um alongador de pinto (a US$ 70) e a partir daí começou a traçar de onde vinha o e-mail, de onde vinha o produto, quem ganhava com isso e quem comprava. Para encobrir os verdadeiros responsáveis, o esquema incluía a "escravização" de computadores de incautos, por meio de vírus, para que eles mandassem o spam sem identificar a fonte. Partindo da Europa, a investigação o levou aos Estados Unidos, à Índia e finalmente à Nova Zelândia.
Basicamente, o spam só se prolifera porque milhares de trouxas caem no golpe e temerariamente colocam seu cartão de crédito à disposição desses golpistas. Cox encontrou alguns especialistas nesse tipo de investigação. Um deles conseguiu hackear o site de uma empresa dessas. Lá, descobriu vários clientes, incluindo altos executivos de bancos de investimento.
Você pode baixar o documentário aqui.
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Esquizofrenia
O secretário de Segurança de São Paulo, Ronaldo Marzagão, elogiou o desempenho da imprensa na cobertura do roubo de dois quadros do Museu de Artes de São Paulo, informa o Comunique-se. Contudo, informações publicadas pela imprensa no dia da recuperação dos quadros continham erros.
Horas antes de a polícia encontrar os dois quadros roubados - um Picasso e um Portinari - na zona Leste de São Paulo, o jornal O Estado de S.Paulo publicou a informação de que, para o Ministério Público, os quadros já podiam ter deixado o país. No dia seguinte, ao noticiar a recuperação, o jornal informou ter acompanhado passo a passo a investigação, sem publicar as informações para evitar danos.
Sendo isso verdade, o jornal teria publicado uma informação errada sabendo que estava errada.
Em seu discurso, o secretário Ronaldo Marzagão não tocou no assunto. Afirmou que o interesse da imprensa em acompanhar o caso "foi fundamental para evitar a saída das obras do país".
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sábado, 10 de novembro de 2007
Documento importante
Saiu o acórdão do caso do Mensalão, organizando as acusações aceitas pelo Supremo Tribunal Federal contra cada um dos acusados. A íntegra está no Consultor Jurídico. O documento demorou 72 dias para sair. Agora, será aberta ação penal a respeito.
O Estadão de hoje traz, no último parágrafo da matéria sobre as novas provas que a PF vai enviar à Justiça, indicações de que o Supremo pode montar bem o quebra-cabeças do caso:
- Além das novas provas, o procurador-geral da República deve encaminhar, ainda, o resultado das investigações sobre o mensalão mineiro, que envolveria o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia. O esquema montado em Minas, de acordo com o procurador, foi o embrião do mensalão petista. Esse caso também será relatado pelo ministro Joaquim Barbosa.
O Valerioduto foi um fenômeno suprapartidário, na prática. Políticos de vários partidos utilizaram os serviços de Marcos Valério. As ligações entre os dois processos podem mostrar um mapa de como funcionou durante um tempo a política deste país. O caso está bem descrito no livro "O Operador", de Lucas Figueiredo, que nunca canso de indicar.
Um problema: o inquérito do Valerioduto tucano ainda não foi aberto. Depois de aberto, leva um tempo pra ser julgada a aceitação do processo contra os denunciados. No caso do Valerioduto petista demorou mais de um ano. Aí, demora um tempo pra sair o acórdão. No caso do inquérito do Mensalão, levou mais de dois meses. Aí abre-se a ação penal. Leva mais um tempo pra ser julgada, e em dez anos o STF Não condenou político algum. Muitos casos prescrevem, ou seja, caducam antes de serem julgados. Como o caso mineiro é mais antigo, pode ser que caduque antes do brasiliense.
Caso o relator Joaquim Barbosa ligue os pontos que unem os dois inquéritos, que na verdade refletem dois momentos de um mesmo esquema, é preciso observar também se os personagens menos celebrados aparecerão. Como João Heraldo Lima, diretor do Banco Rural cujas conexões com os personagens mais famosos do caso foram descritas no livro de Lucas Figueiredo. Ele nunca recebeu a devida atenção da imprensa (mesmo quando citado no noticiário) e nem das CPIs (embora tenha sido mencionado no relatório parcial da CPI da Compra de Votos). Comentei isso neste post antigo do blog do Deu no Jornal.
- LEIA MAIS: Faroeste paraibano
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Marcelo
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quinta-feira, 8 de novembro de 2007
O mensalinho e o semanário
O mais novo escândalo de corrupção política - o "mensalão" pago pelo ex-governador de Mato Grosso Zeca do PT a diversos políticos - envolveu pelo menos um jornalista atuante no estado. Eduardo Ribeiro de Carvalho, um ex-policial que trabalha no semanário Última Hora, teria recebido R$ 5 mil mensais do governo do estado, durante oito anos. Ele próprio admite, mas reclama: a lista de pagamentos do governo informa que ele receberia R$ 7 mil mensais. "Quero meu dinheiro de volta", disse ele.
O diretor do jornal afirma que o dinheiro não ia para o jornal, apenas para o funcionário. Diz também que nem por isso o jornal deixou de publicar críticas ao governador. Segundo Carvalho, porém, ele recebia um pagamento para poupar o governo e uma quantia maior quando criticava, o que o fez comparar a administração de Zeca a "prostituta e mulher de malandro".
A única novidade no esquema é a franqueza com que Carvalho admitiu o esquema. Casos semelhantes já foram apontados em outras partes do Brasil:
* Em 2003, a Folha de S.Paulo revelou um esquema de compra de reportagens pelo governo do Paraná;
* Em 2005, a Polícia Federal captou diálogo entre um publicitário e um diretor da cervejaria Schincariol, mencionando a compra de uma reportagem de capa da revista Istoé Dinheiro;
* No Amapá, em janeiro de 2006, os dois principais jornais locais acusaram-se mutuamente de receberem pagamentos por serviços políticos prestados aos governadores Waldez Góes e João Capiberibe;
* Em setembro de 2006, a revista Istoé foi acusada de participar da negociação de um dossiê comprado de um grupo que vendia ambulâncias superfaturadas, visando levantar informações que prejudicassem políticos de oposição na campanha eleitoral;
* Em Rondônia, os jornalistas adoram se acusar de todo tipo de questões. Muitas vezes é possível ver na leitura do material as conexões políticas. Toda semana há um caso diferente. Muitas vezes, a coisa descamba para a baixaria.
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Marcelo
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Assuntos de famiglia
Depois de prender o chefão da máfia siciliana, a polícia encontrou os dez mandamentos da Máfia. A BBC Brasil publicou:
- 1 - Não pode se apresentar sozinho a um amigo nosso, senão um terceiro irá fazer isso. (Ou seja - nenhum membro da Cosa Nostra pode ir sozinho a um encontro)
2 - Não se deve olhar para as mulheres dos nossos amigos.
3 - Não deve se meter em confronto com os policiais.
4 - Não se deve frequëntar bares ou clubes.
5 - Deve estar disponível a qualquer momento à Cosa Nostra. Até mesmo se a mulher está por dar à luz.
6 - Os compromissos devem ser respeitados.
7 - Deve-se respeitar a esposa.
8 - Quando for chamado para esclarecer qualquer coisa, deverá dizer a verdade.
9 - Não pode se apropriar de dinheiro que pertence a outros ou a outras famílias.
10 - Não pode fazer parte da Cosa Nostra quem tem um parente nas diversas forças de ordem italianas, quem já traiu sentimentalmente dentro da família (mafiosa) e quem tem um péssimo comportamento e não respeita os valores.
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terça-feira, 30 de outubro de 2007
Páginas roubadas
A coluna de Mônica Bergamo informa que um dos computadores do senador e ex-presidente da República José Sarney foi invadido. Capítulos da biografia que Sarney escreve contando sua carreira política foram roubados. Segundo a nota, trechos do material roubado foram publicados na imprensa nesta semana (esta reportagem da revista Istoé foi a única a tratar do assunto). Os trechos do rascunho - de 177 páginas, segundo a revista - trazem os bastidores da nomeação de Sarney como presidente após a morte de Tancredo Neves, pouco mais de um mês após a data marcada para a posse, em 1985.
De acordo com a Folha, investigação do setor de informática do Senado aponta um ex-funcionário que deixou a Casa no mês passado como suspeito pela invasão. Recentemente, especialmente após o caso Renan Calheiros, vários senadores têm se queixado de espionagem, grampos, perseguições, tentativas de chantagem e montagem de dossiês. A coluna que publicou a informação não informa se o caso de Sarney tem a ver com esses casos.
Ainda não há manifestação da Istoé sobre a publicação dos trechos. No ano passado, durante a campanha eleitoral, a revista foi acusada de ter participado da negociação de um dossiê que incriminaria políticos de oposição ao governo Lula com o caso dos Sanguessugas, um escândalo de compra superfaturada de ambulâncias envolvendo recursos orçamentários destinados por deputados federais.
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Marcelo
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