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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Festival É Tudo Mentira (5): "Mas eles também!"

Ao longo desta semana, em que houve o Primeiro de Abril e o centenário do Pinóquio, o festival É Tudo Mentira analisou alguns tipos de mentira política. Para encerrá-lo, vamos analisar uma verdade que é usada pra distrair quando a mentira é descoberta: "eles também fizeram isso".

Esse tipo de declaração é usado basicamente com três finalidades.

A primeira é acusar jornalistas, esses malditos xeretas, de relevarem o que os outros fizeram e só revelarem o que eles fazem. Essa versão foi comum ao longo do escândalo do mensalão, por exemplo, quando petistas diziam que a imprensa só investigava escândalos quando eram do PT, nunca do PSDB.

Eu, que comecei a cobrir política no final do governo FHC, lembro de vários escândalos bastante graves que foram cobertos à exaustão na época. Muitas vezes, com informações passadas por fontes da então oposição, hoje governo. Em alguns casos, o esperneio tem um fundo de verdade: por exemplo, o valerioduto mineiro, de raiz tucana e pai do valerioduto federal, foi muito mal coberto em relação ao que ficou conhecido como o caso do mensalão. Mas em boa parte dos casos não procede.

Uma variante dessa reclamação, que foi especialmente comum durante o caso do mensalão, era a de querer que se relevasse escândalos presentes em prol de mergulhar em escândalos passados. Que os escândalos passados merecem esclarecimento, merecem. Mas não à custa dos escândalos presentes. É mais produtivo questionar um governo enquanto ainda está com a mão no pote do que um que já não tem mais a mão lá.

A segunda finalidade é a de jogar coisas no ventilador, alimentando a briga de bugio no curto prazo pra costurar uma pizza no médio prazo.

Isso você está vendo agora, por exemplo, no rolo da Camargo Corrêa. A Polícia Federal identificou sete partidos que podem ter recebido doações por baixo dos panos. Mas uma empresa desse porte acende uma vela pra cada santo, então doa para todos. Portanto, se alguns partidos receberam, todos podem ter recebido. Não há como duvidar desse princípio.

O problema é que esse tipo de coisa acaba funcionando mais ou menos como a fiscalização das contas eleitorais. Essa fiscalização é feita com a ajuda dos partidos. Os partidos olham as contas uns dos outros e aprovam sem se demorar muito. Pode até ser que eles tenham achado algo indevido, mas eles é que não são loucos de denunciar porque sabem o que eles botaram e omitiram nas suas. Vai que o denunciado responde na mesma moeda...

A terceira finalidade é a de confundir, simplesmente. Mais ou menos com a mesma finalidade da segunda, mas não só. Aumenta-se exponencialmente a quantidade de personagens e fatos investigados, fazendo com que a imprensa saia correndo loucamente atrás do próprio rabo pra no fim acabar tudo em pizza. No final, a culpa é sempre da Geni de sempre.

Isso aconteceu com maestria no caso EJ. Eduardo Jorge Caldas Pereira era o assessor mais próximo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele foi acusado de intermediar pedidos do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, o famoso Lalau do TRT, junto ao governo. Em poucos meses, a coisa virou uma bola de neve imensa, em que quase ninguém conseguia entender como é que os fatos se encaixavam.

Foi nesse caso que eu aprendi a confiar na minha inteligência: se eu não entendo como as coisas se encaixam, não é por burrice. É porque tem alguma coisa errada aí.

No desespero, o Correio Braziliense publicou uma matéria completamente errada vinda de uma só fonte sem checagem - e ganhou um Esso por ter publicado errata na primeira página. Meu chefe, na época, brincava com sua voz de trovão: mais dia, menos dia, podia aparecer que o Eduardo Jorge contratou Sandy e Júnior pra cantar num aniversário e ia sair uma manchete dizendo "Sandy e Júnior envolvidos no caso EJ".

Ao final de meses e meses, nada ficou provado. O caso EJ acabou virando contra a imprensa. Não duvido que alguma coisa houvesse. Mas a coisa ficou tão grande que no fim qualquer coisa que pudesse haver ficou desmoralizada.

E assim passam os dias e os anos, de escândalo em escândalo.

O fato: É óbvio que eles também fizeram. Todos eles fazem. Nunca acredite num político que diz que não faz. Aliás, desconfie de cara. O "eles também" é um ótimo motivo pra ficar de olho em qualquer governo - inclusive e principalmente aquele no qual você votou. Não cabe lógica de torcida nisso: o melhor que você pode fazer por um político que você elegeu é ficar de olho no que ele faz. Fiscalizando-o, e fazendo-o saber disso, você o estimula a manter pelo menos a aparência de honestidade pra não dar na sua vista.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Tadinha da Suécia!!!!

Título da inacreditável Agência Brasil:

Brasil é vanguarda em instrumentos públicos de informação para o cidadão

A notícia trata do projeto de lei que será enviado ao Congresso até o final deste mês tratando do direito de acesso a informações públicas. O que é muito legal, porque é o cumprimento de uma promessa que o Lula fez em 2006 para entregar em 2007. E é mais legal ainda porque vários países, incluindo o Zimbábue e o Uruguai, já fizeram lei de acesso antes do Brasil.

Veja só: a Suécia tem uma lei de acesso desde 1766. Há dez anos, é possível solicitar até os e-mails de autoridades porque eles são considerados documentos públicos. Os Estados Unidos têm lei de acesso desde 1966. O primeiro ato do Obama foi mandar que a Justiça tivesse sempre em conta o princípio de que a prioridade é a informação chegar ao cidadão.

Aqui, na VANGUARDA dos instrumentos públicos de informação segundo a inacreditável Agência Brasil, nem o Senado sabe direito quantos diretores tem. Imagine o cidadão. Pior: a Transparência Brasil foi repetir neste ano o estudo feito em 2007 e 2008 sobre os orçamentos dos Legislativos. Deu com o nariz na porta em alguns lugares. E olha que estamos na VANGUARDA.

Tadinha da Suécia, onde eu pedi pra ver os documentos da entrada da minha tataravó no navio e pude folhear os originais (de 1891) em 15 minutos. A Suécia ainda tem muito a aprender com o Brasil.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Capela Fashion Week

Ontem eu brinquei no Twitter com a Liana Pithan: o enterro do Clodovil iria lançar as novas tendências para a moda fúnebre outono-inverno.

Por mais que eu estivesse brincando, o jornalismo online nunca me decepciona. Da Folha Online:

    Terno claro, em tecido branco riscado com pequenos quadrados cinza, gravata borboleta azul e lenço do mesmo tom. É assim que o estilista, apresentador e deputado Clodovil Hernandes é velado nesta quarta-feira na Assembleia Legislativa de São Paulo.

    A criação é do próprio estilista que, segundo assessores, desenhou o modelo durante o Carnaval deste ano.

    "É a primeira vez que ele está usando", afirmou o assessor e amigo João Toledo, que acompanha o velório próximo ao corpo.

    O caixão onde se encontra Clodovil está coberto por um véu e seu corpo é coberto por pétalas de flores até a altura da cintura; na mão, Clodovil segura um buquê de flores roxas, presente de uma amiga que também está no velório.

Nada contra. Legal a observação do repórter. Acho que daria um bom tempero numa matéria maior sobre o enterro e as questões políticas envolvidas (como a briga do presidente do PTC, partido pelo qual Clodovil se elegeu mas depois saiu, com a assessora do deputado). Mas uma matéria só sobre isso? Não sei.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

E o Quico?


Pois a Folha Online publicou, com base no que o site de fofocas TMZ publicou sem identificar a fonte, que a Gisele Bündchen ia casar com o jogador de futebol americano Tom Brady, seu namorado. Logo depois, o pai do jogador negou - e a Folha Online publicou também.

Em épocas de falta de assunto, fofocas sobre o namoro da Gisele Bündchen sempre rendem ótimos erros do churnalismo. Esta aqui, por exemplo, saiu no carnaval.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O império do churnalismo e os produtos intermediários

Identifiquei o que tanto me incomoda no jornalismo online conforme atualmente praticado no Brasil: é o fato de ele entregar uma avalanche de produtos intermediários como notícia. Por produtos intermediários, quero dizer releases, pautas, retornos, fragmentos de notícia (essa aí é uma de quatro matérias enviadas pelo feed sobre a mesma pesquisa) e informações de interesse muito localizado. Todos os exemplos são do feed do O Globo, que me trouxe 120 notícias entre ontem à noite, quando desliguei o computador, e as duas da tarde de hoje. Nesse feed não tinha, mas outros têm, aspas isoladas repercutindo um assunto maior.

Parece-me o império dos produtos intermediários. No dia seguinte, os jornais vão basicamente diagramar uma versão um pouco mais editada desses produtos intermediários. Mas essa edição ainda refina muito pouco esse noticiário pra me fazer achar que vale a pena pagar por isso. Tanto esforço me parece ser empreendido na entrega desses produtos intermediários, e numa freqüência tão brutal, que faltam recursos humanos (braços e cabeças) para fazer um produto final mais apurado.

Isso me levou há poucos dias a cancelar minha assinatura de um jornal "generalista" diário, o Estadão. Mantive só a do Valor, que é especializado. Tudo o que saía no Estadão eu lia na internet antes, até porque vários dos portais já reproduziram ao longo do dia os textos da Agência Estado. Perco o material exclusivo, claro. Mas é tão pouco que me parece nem valer a pena pagar a assinatura. Ele será reproduzido depois na internet, mesmo.

Nos últimos dias, andei lendo alguns textos interessantes sobre mudanças no papel dos jornais, se é que eles pretendem ter algum futuro. Compartilho o filé deles.

1) Josh Korr, do Innovation 2.0, fez uma interessante provocação em seu blog. Segundo ele, em um momento de excesso de informação circulando, abster-se de publicar matérias tapa-buraco, concentrando-se em material exclusivo, é uma forma de inovar.

    Filler news can take many forms. Jarvis singles out reporting on election and post-holiday-shopping days. John McIntyre flags another persistent form of filler — stories based on dubious surveys — in this post. Jack Shafer never tires of exposing bogus trend pieces.

    I would add: many stories based on (or directly lifted from) press releases; one-sentence news like stock market updates, shuttle takeoffs, and incremental updates of previous stories; many politics-as-process stories. Even “important” news can become filler. Crime briefs become monotonous after so many days; the fifth front-page story on the Russia-Georgia conflict isn’t likely to resonate.

    Most of these story approaches are so ingrained that it’ll take conscious effort to stop and come up with more effective alternatives. But it can be done.

2) Com a economia complicada nos EUA, várias publicações estão reduzindo por lá sua freqüência de publicação em papel - o mais caro dos insumos. O Christian Science Monitor foca na Web e publica em papel uma vez por semana. A US News and World Report passa de semanal a quinzenal. O Independent, de Londres, mudou-se para o prédio do Daily Mail e pode passar a ser apenas online. Relatório da empresa de auditoria Deloitte, noticiado pelo Financial Times, aponta a possibilidade de 10% das publicações dos EUA irem por esse caminho em 2009. O problema:

    "Not even the most successful online newspaper and magazine sites generate sufficient profit to offset declining margin from print versions," the report says.

3) Apresentação de Matt Thompson para a Society of Professional Journalists sugere "contar histórias maiores", ao invés de simplesmente contar mais histórias. Alguns slides-chave:

    This is a key premise: if you take nothing else away from this talk, understand this
    (SLIDE) We have already shifted from a state of information scarcity to information overload
    Today’s journalism is STILL structured around information scarcity

    We talk about “filling the news hole”
    Broadcasters talk about “localizing” news stories
    (Not meant in the sense of making a national story more relevant to a local constituency, but essentially repeating a news story done elsewhere on a local scale)

    (SLIDE) One of the biggest organizing principles behind journalism as it’s practised today is TELLING MORE STORIES
    We don’t actually NEED more stories
    We don’t need journalists to tell us what happened at the city council meeting
    We don’t need journalists to tell us the story of last night’s game
    We don’t need journalists to speculate on who Obama’s cabinet is going to be

    (SLIDE) What we NEED is LARGER STORIES
    We need someone to tell us what last night’s city council meeting means for us
    Or what last night’s game means for our team
    Or what Obama’s cabinet choices mean for our country
    For the past however-many decades, our goal has been to find more things each day for everybody to worry about
    When I load up a news website, or watch a broadcast, more often than not what I see is news - a new headline, a new phenomenon, a new crime or crash or spectacle
    This is actually debilitating
    The net effect is that whenever I encounter “the news” these days, I feel LESS informed, not MORE so

Ao que me parece, a soma da cultura da escassez, tradicional no jornalismo, com a necessidade de notícias segundo-a-segundo, tradicional no jornalismo online, é o que leva ao churnalismo. E a notícias irrelevantes como "Madonna aparece na janela do hotel" (relevante pra quem está lá na frente), "Abertas as portas para o show da Madonna" (relevante pra quem está na fila), "Prefeitura desvia tráfego em Ipanema por causa de buraco de rua" (relevante pra quem está lá) e outras tantas.

Ao que me parece, vai levar muito tempo até que isso seja equacionado. Até porque apenas a concorrência pode fazer isso, e hoje a concorrência é pra ver quem dá mais notícias. Mesmo que sejam cópias de releases, chupação de notícias dos outros e pautas e retornos publicados na íntegra.

Ao que me parece, vou continuar me irritando com o noticiário por muito tempo.

domingo, 9 de novembro de 2008

Churnalismo em festa

Do G1, agora de manhã, vem esta notícia de parar as máquinas, acompanhando uma foto:

    Equipes de resgatem tentam remover guindaste que caiu em obra de estação do metrô em Dubai, Emirados Árabes Unidos, neste domingo (8), provocando o fechamento de uma rua e grande congestionamento na cidade. Não houve vítimas, segundo a imprensa local.

Então o motorista brasileiro já sabe: evite passar perto das obras do metrô de Dubai porque o trânsito lá está um inferno.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O churnalismo e o submercado

O Globo publicou hoje na internet um texto, às 14h13, sobre uma jornalista presa em Búzios. Assinado pela repórter Taís Mendes, ele diz o seguinte:

    RIO - A jornalista Ana Elizabeth Perez Baptista Prata, conhecida como Beth Prata, foi presa agora há pouco por policiais militares de Búzios por determinação do juiz criminal da cidade, Rafael Resende das Chagas. Ela é acusada de distribuir folhetos apócrifos no balneário com acusações a juízes de corporativistas. Ela teria distribuído os folhetos no Tribunal de Justiça do Rio. A jornalista já responde a um processo de calúnia, injúria e difamação contra membros do Judiciário. O processo está em fase de julgamento. Beth Prata está presa na Delegacia de Búzios e será transferida para a carceragem feminina da Polinter, no Rio.

O concorrente JB Online publicou também um texto sobre o assunto, às 15h12. Sem assinatura, ele diz o seguinte:

    RIO - A jornalista Elizabeth Perez Baptista Prata foi presa pela por policiais militares agora pouco, em Búzios. Ela é acusada de distribuir panfletos apócrifos no balneário, onde acusava juízes de corporativistas. A prisão foi determinada pelo juíz criminal Rafael Resende das Chagas. Este não é o primeiro processo ao qual a jornalista responde. No momento, ela responde por calúnia, injúria e difamação também contra funcionário da Justiça, que se encontram em processo de julgamento. Elizabeth será transferida para a carceragem da Polinter, no Rio.

A principal diferença entre os dois textos: 59 minutos. Fora isso, frases foram trocadas de lugar, expressões foram retiradas e o "agora há pouco" foi deslocado como "agora pouco". E só.

Mas mesmo a história original está muito mal contada. É crime distribuir panfletos? É crime um juiz ser corporativista, como teoricamente dizem os panfletos que ela distribuía? O que diziam exatamente esses panfletos? Qual é a versão do advogado dela a respeito? Nada naquela matéria. Nada no resto do dia. Apenas lendo as informações dos textinhos, não dá sequer pra pensar se esse é ou não um caso de intimidação judicial a um jornalista por conta de sua atividade profissional. Não tem informação.

Apuração: zero. Mas as listas de notícias continuam gordas no JB, no O Globo e nos outros. Gordas de um jornalismo burro e braçal, que substitui o uso dos neurônios pelo uso de dois dedos na mão esquerda: um para segurar a tecla "ctrl" e o outro para alternar entre as teclas "c" e "v". O adjetivo "burro" não se aplica necessariamente aos jornalistas que fazem esse trabalho. Mas certamente se aplica à lógica organizacional que cria demanda por gado com diploma embaixo do braço, pouco salário e zero possibilidade de evolução profissional, porque afinal tem que ter notícia nova a cada segundo.

No começo deste ano, fez sucesso no Reino Unido o livro "Flat Earth News" (Notícias da Terra Chata). Nele, o repórter Nick Davies se valeu de um estudo acadêmico com a origem de 2.000 notícias, onde a análise demonstrou que apenas 12% delas eram produzidas por meio de apuração. O restante era ou chupação ou press-release. E isso acontecia nos meios de comunicação tradicionais, tidos como respeitáveis. Nada que vocês não conheçam por aqui também - com a diferença de que não há um Guardian brasileiro.

Davies, neste artigo, aponta que essa tosqueira tem a seguinte causa:

    No reporter who is producing nearly 10 stories every shift can possibly be doing their job properly. No reporter who spends nearly 95 per cent of the time crouched over a desk can possibly develop enough good leads or build enough good contacts. No reporter who speaks to so few people in researching 48 stories can possibly be checking their truth.

Em inglês, ele criou o trocadilho "churnalism" para descrever essa prática. Vem da expressão "churn out" que significa algo como "fazer nas coxas". Mas a palavra "churn" também é usada no jargão econômico para descrever o processo pelo qual empregos são regularmente criados e destruídos conforme muda a tecnologia. O que se aplica também, com louvor, ao trabalho dos portais. "Churn" também significa rotatividade. Que também se aplica à organização do trabalho nos portais.

Do pouco que eu conheço desse mercado, os "churnalistas" brasileiros costumam ser muito jovens e trabalhar sob contratos temporários relativamente mal-pagos. Dificilmente esse tipo de trabalho dá algum tipo de experiência que amplie suas habilidades profissionais - que raramente foram desenvolvidas na faculdade, porque as faculdades brasileiras, apesar de obrigatórias, são o que são. No churnalismo, o jovem jornalista também não tem oportunidade de desenvolver o texto, fontes, refinar sua capacidade de análise. Assim, por mais que queira, e muitas vezes quer, evoluir profissionalmente, o sujeito acaba ficando preso naquela terra paralela - que produz jornalismo só no nome.

Aí vem uma observação empírica minha, que eu já venho fazendo há algum tempo pra consumo próprio. O "churnalismo" acaba por criar um submercado de trabalho. É mais comum alguém sair de uma publicação de mais qualidade para o churnalismo do que o contrário. Conheço pilhas de jornalistas jovens que mudam de um site pra outro, muito insatisfeitos com a profissão em geral e seu trabalho (braçal) em particular - e isso muito pouco tempo depois de sair da faculdade.

Qualquer um sabe que toda possibilidade de futuro para o jornalismo passa necessariamente pelo uso da internet. Mas só o uso INTELIGENTE da internet pode abrir essas possibilidades. O caminho para se chegar a isso certamente não é o churnalismo.

Os efeitos da equação

Ontem, em São Paulo, o G1 deu uma notícia bombástica: PM diz que criança é mantida refém pelo pai na Zona Sul de SP. Isso às 2 da manhã. A polícia e a imprensa haviam sido chamadas pela mãe, dizendo que o ex-marido havia tomado a criança como refém - e que estava armado.

Duas horas depois, às 4 da manhã, mudou completamente a versão: Mãe disse que filha era refém em SP para retomar guarda de criança, diz PM. O caso então ficou assim:

    A Polícia Militar (PM) informou que o caso de uma criança que seria mantida refém pelo próprio pai na Zona Sul de São Paulo, desde as 22 horas de quarta-feira (29), não passou de uma estratégia da mãe para tentar retomar a guarda da filha de 5 anos. No início da ocorrência, a PM tratou o caso como cárcere privado grave, e utilizou quatro equipes para ir ao local do suposto crime, totalizando a mobilização de pelo menos oito soldados.

    Segundo a PM, a própria mãe da criança chamou a polícia com quatro chamados consecutivos ao 190. Ela teria dito que o pai estava armado. A mulher também teria chamado a imprensa ao local, dando uma dimensão de seqüestro ao caso.

    Já no local, as equipes da PM constataram que a criança estava numa festa de aniversário em um bufê na região do Shopping Morumbi, na companhia do pai. A polícia apurou que ele não estava armado e não teria tomado a criança refém, conforme acusou a mãe. Ao menos dois soldados chegaram a revistar o rapaz e o estabelecimento à procura de uma suposta arma. Nada foi encontrado.

    Na seqüência, a mãe apresentou aos policiais um documento de busca e apreensão da criança. A informação foi contestada pelo pai, que segundo a apuração da PM, detém a guarda da criança. Ele ainda apresentaria a documentação.

Ou seja: era um trote de uma mulher que tentou usar o espetáculo a favor de seu lado em mais um drama familiar como tantos outros. Certamente triste. Mas há alguma dúvida de que isso é inspirado na moda gerada pelo espetáculo de Santo André?

Mais ainda: o caso todo saiu de madrugada no G1. Não havia nada confirmado quando a primeira notícia saiu. Duas horas depois, precisou haver a retratação.

A notícia sobre a briga pela guarda da criança saiu no Folha Online no feed de Cotidiano, com o texto atualizado depois que a situação se esclareceu. Assim: Briga por guarda de criança acaba em caso de polícia em SP. O leitor que só foi ler a respeito de manhã pegou apenas a versão completa. Ponto pra Folha Online - mas ainda assim o leitor que foi dormir depois de ler a primeira versão, sem o desfecho, levou pra cama a informação distorcida pelo interesse da mãe da criança.

O "G1 - Notícias" é o feed de maior volume de notícias entre os que eu recebo. Segundo as estatísticas do Google Reader, ele manda em média 252,2 textos diários. Faz tempo que desassinei o "G1 - Plantão", porque ele é ainda mais nervoso. Em apenas um minuto de hoje, às 10:34 da manhã, ele atualizou quatro notícias. Em 10 minutos, foram 12 notícias, incluindo as imperdíveis "Vaticano fecha portas do sacerdócio para homossexuais, mesmo os castos" e "Cadeira voadora fica acima das preocupações em feira de Londres".

Eu não assino feeds de portais exclusivamente de internet, como o Terra, porque senão ficaria louco. Não sei qual é a média, porque não assino, mas a lista de notícias é uma avalanche. E boa parte delas é chupada de outros meios de comunicação: BBC, JB, agências. Pessoalmente, prefiro sempre o original. Estamos na internet, enfim, e tudo está igualmente à mão.

Para fins de comparação, o feed "Folha Online - Brasil" envia uma média de 76,4 textos diários. "Folha Online - Cotidiano" envia uma média de 50 textos diários. Para mim, está de ótimo tamanho. E olha que eles também reproduzem material da BBC e da Agência Brasil, por exemplo.

Se não fosse a urgência de publicar dezenas e dezenas de textos de tantos em tantos minutos durante a madrugada, se o repórter pudesse se "dar ao luxo" de esperar até a polícia chegar ao local para publicar (quem tem urgência em ler notícias às 2 da manhã, afinal?), era um mico a menos da parte do G1. E não insuflava a sede de espetáculo da mãe da criança, certamente influenciada pela moda de Santo André.

A ânsia de ser o primeiro a dar as últimas, igualando qualidade a quantidade e publicando antes de confirmar, coloca os portais facilmente à mão de qualquer interesse - especialmente os espetaculosos, mas não só.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Uma triste equação e uma longa digressão

Nunca fui muito bom em matemática, mas vejam esta equação aqui:

    (Espetáculo + incolumidade) x (tradição de abuso + desconfiança) = tristes modas

Em Marília, mais um descornado, este de 19 anos, manteve a ex-namorada (de 14) em cárcere privado. Foram dois dias. Ele libertou a guria hoje de manhã e deu no pé. São Paulo parece ter-se tornado a meca dos descornados e perigosos, com três mortes desde o seqüestro da Eloá (fora a da própria), como se pode observar nesta visualização do mapa exclusivo deste blog:


Exibir mapa ampliado

Um dos principais motivos possíveis pelos quais isso virou moda depois do caso Lindemberg é possivelmente o fato de que o único que não saiu ferido foi o seqüestrador. Dois artigos publicados nos últimos dias tocam bem nesse assunto. Eles convergem num ponto, divergem noutro.

"Uma verdade apavorante", de Paulo Moreira Leite, na Época desta semana:

    Deve-se ao coronel Eduardo José Félix, comandante da Tropa de Choque, a principal revelação sobre o estado de espírito da Polícia Militar de São Paulo. Na hora de explicar por que os atiradores de elite da PM desperdiçaram seis oportunidades para alvejar o Príncipe do Gueto que matou Eloá Pimentel, o coronel declarou: “Inevitavelmente os senhores da imprensa estariam questionando o Gate do mesmo jeito. É um garoto de 22 anos, sem antecedentes, que estava passando por uma crise nervosa”.

    A declaração é equivocada, já que a polícia não é um serviço de relações públicas e tem a obrigação legal de proteger vidas humanas em primeiro lugar. Não é difícil entender o comportamento da PM. A culpa não é da imprensa, mas a explicação é apavorante.

    A PM tem medo. Muitas vezes, quando um atirador de elite poderia entrar em ação – depois que todos os meios de negociação pacífica foram esgotados –, a voz de comando gagueja e as mãos que deveriam apertar o gatilho tremem. Criados nas trincheiras européias da Primeira Guerra Mundial, os atiradores de elite não são uma moda recente e estão em atividade no mundo inteiro. Mas o receio, no Brasil, é real, e nasceu em 1990.

    No esforço para libertar uma refém num assalto em Perdizes, um atirador de elite fez um disparo de filme. Matou o criminoso na hora. Mas a bala seguiu em frente e alvejou a vítima, que faleceu no hospital. O PM foi preso, julgado e condenado. Ouviu uma sentença humilhante, na qual o disparo era definido como inconseqüente e irresponsável.

    De lá para cá, os atiradores de elite baixaram o fuzil. É cada vez mais freqüente encontrar situações nas quais seus serviços poderiam ser usados – na opinião da maioria dos especialistas –, mas nem se cogita. É como se, por causa de um erro médico, fosse necessário abandonar uma técnica cirúrgica consagrada pela medicina.

"A liberdade e o direito com responsabilidade", da procuradora da República Ana Lúcia Amaral, hoje no Observatório da Imprensa:

    Mantendo a atenção de toda a mídia por cerca de 100 horas, [Lindemberg] teve o domínio da situação todo o tempo. Chegou a fazer disparos a esmo, colocando em risco outras pessoas, sem que a polícia reagisse, e exibiu-se por trás da refém, apontando a arma para sua cabeça. Mesmo havendo previsão legal da legítima defesa de terceiro (art. 25 do Código Penal), a polícia não atirou no seqüestrador.

    Todavia, a Polícia Militar de há muito é a "Geni": se atirasse, não faltaria quem criticasse a violência como desnecessária, pois não esgotadas as negociações. Entidades de defesa dos direitos humanos acusariam a polícia de execução sumária, sem julgamento por juiz competente, violando o direito à ampla defesa e o princípio da dignidade da pessoas humana etc., etc.

    (...) Não estou a defender a violência policial como forma de solução dos problemas de criminalidade, mas a ponderar se a imprensa não poderia exercer um certo controle da atividade policial, em tempo real, mas não transmitindo ao vivo.

Pessoalmente? Sempre fico com um pé atrás quando se fala em "pactos", "acordos", "parcerias" para a imprensa publicar ou deixar de publicar alguma coisa em nome de algum bom sentimento. Mas também acho que ninguém precisa de cobertura minuto a minuto de um caso triste desses. Acho que a informação é muito importante - até pra botar na mesa a discussão sobre políticas de segurança. Mas ninguém precisa desse circo todo que ocorreu - até porque o circo estimula reações doentias. Pode não causar, mas certamente dá idéias.

Existe um razoável meio termo, já estabelecido na cobertura de seqüestros em geral: a imprensa acompanha, mas só publica quando termina. Seria um bom meio-termo pra um caso desses? Eu acho que sim. Mas se for estabelecido por decreto eu sou contra. Teria que ser uma opção editorial de bom senso. Mas existe bom senso no mundo, ainda mais com trocentos sites minuto a minuto, além de TVs e rádios de notícias 24 horas competindo pra ver quem derruba primeiro o avião na Faria Lima?

ATENÇÃO: Os vários parágrafos a seguir contêm digressões sobre jornalismo. Caso julgue perda de tempo, não precisa ler mais pra frente.

Essa opinião tem muito a ver com minhas idiossincrasias profissionais - como, por exemplo, a de achar inútil todo tipo de pseudo-evento planejado pra atrair jornalistas: coisas como entrevistas coletivas, cafés-da-manhã-para-a-imprensa, debates eleitorais, coberturas-manada em porta de delegacia e outros que-tais. Também tem a ver com minha idiossincrasia fundamental, a de preferir os dados às aspas. E tem um pouquinho de egoísmo, também: prefiro cavar minhas próprias pautas a cobrir o assunto-da-vez que todo mundo está cobrindo.

(Um pouco por sorte, outro tanto por teimosia, outro tanto por direcionamento profissional, dá pra contar nos dedos quantas vezes precisei cobrir esse tipo de evento. Mas, de qualquer forma, eu me sinto incompetente nessas ocasiões, porque não é o que eu sei fazer. Há quem saiba e goste. Mas não é minha praia.)

Até porque o Brasil não pára enquanto ocorre o assunto da vez, mas as redações estão cada vez mais enxutas. É outra equação: despejar muitos profissionais para cobrir um só assunto tira profissionais da cobertura de todos os outros. E a ênfase primordial num só assunto favorece o declaratório, a espetacularização e a instrumentalização da cobertura por fontes cada vez mais profissionalizadas e portadoras dos mais diversos interesses. A compreensão, aí, vai pras cucuias.

É exatamente a esse fenômeno que o Carl Bernstein se refere no artigo "O Triunfo da Cultura Idiota", de 1992:

    O maior crime do negócio da notícia hoje é ficar para trás ou perder uma grande matéria. Então, a velocidade e a quantidade substituem a perfeição e a qualidade, a exatidão e o contexto. A pressão para competir, o medo de que alguém vá dar primeiro a notícia, cria um ambiente frenético onde uma nevasca de informações é apresentada e questões sérias não podem ser levantadas: e mesmo naquelas bem-aventuradas instâncias em que tais questões são feitas, ninguém passou meses trabalhando para verificar e respondê-las corretamente.

    Reportagem não é estenografia. É a melhor versão da verdade possível de se obter. As tendências realmente significativas no jornalismo não têm ido em direção a um compromisso com a melhor e mais complexa versão da verdade possível de se obter, não em direção a construir um novo jornalismo baseado em reportagens sérias e refletidas. Essas não são as prioridades que saltam para o leitor da maior parte de nossos jornais, nem o que o espectador recebe quando liga nos noticiários.

É impressionante como ele fica mais atual a cada ano que passa, quanto mais se multiplicam os canais pelos quais as notícias-commodity chegam aos seus consumidores. E quanto mais isso acontece, mais o circo se potencializa - e cada vez mais alto gritam os guardiões da decência com propostas censórias e jogando as coberturas da TV trash e do jornal sóbrio no mesmo saco basicamente por tratarem do mesmo assunto que se espetacularizou.

Já reparou nas "críticas de mídia" que vêm circulando por aí sobre a cobertura do caso Eloá? Pois é. Ainda ontem era a mesma gritaria sobre o caso Isabella - que foi coberto do mesmo jeito commoditizado.

E aqui volto ao meu maestro soberano Philip Meyer, que escreveu há pouco um interessante artigo na American Journalism Review onde ele reformula seu conceito de "jornalismo de precisão", dos anos 70, como "jornalismo baseado em evidências":

    I still believe that a newspaper's most important product, the product least vulnerable to substitution, is community influence. It gains this influence by being the trusted source for locally produced news, analysis and investigative reporting about public affairs. This influence makes it more attractive to advertisers.

    By news, I don't mean stenographic coverage of public meetings, channeling press releases or listing unanalyzed collections of facts. The old hunter-gatherer model of journalism is no longer sufficient. Now that information is so plentiful, we don't need new information so much as help in processing what's already available. Just as the development of modern agriculture led to a demand for varieties of processed food, the information age has created a demand for processed information. We need someone to put it into context, give it theoretical framing and suggest ways to act on it.

    The raw material for this processing is evidence-based journalism, something that bloggers are not good at originating.

    Not all readers demand such quality, but the educated, opinion-leading, news-junkie core of the audience always will. They will insist on it as a defense against "persuasive communication," the euphemism for advertising, public relations and spin that exploits the confusion of information overload. Readers need and want to be equipped with truth-based defenses.

    Newspapers might have a chance if they can meet that need by holding on to the kind of content that gives them their natural community influence. To keep the resources for doing that, they will have to jettison the frivolous items in the content buffet.

Acho que esse conceito de demanda por informação processada num tempo em que a informação-commodity barata e burra abunda vale a pena para dar partida à reflexão sobre o que fazer a respeito de um ambiente que, em última análise, alimenta os descornados e perigosos. A oferta de notícias-commodity não vai deixar de existir. Mas não é por isso que a imprensa de referência precisa concorrer com ela.

Mas, enfim, estou pensando com os dedos.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Eu desisto...

...de dar entrevistas sobre jornalismo a estudantes e sites especializados nacionais. Não vale a pena. Não que eu não soubesse, até porque sou um leitor atento desse tipo de notícia. Mas sempre deixo a gentileza imperar e acabo dando trela.

Anteontem, recebi um telefonema de uma moça de um site especializado, perguntando o que eu achava de uma pesquisa que a Fenaj fez sobre o que os brasileiros acham da obrigatoriedade do diploma. Respondi, da maneira mais sincera que podia.

Minutos depois, quando saiu a matéria no ar, a descrição do meu currículo estava atrasada em seis anos. A moça não me perguntou o que eu fazia hoje da vida, durante a entrevista - mas na hora não me preocupei, porque pelo menos até recentemente ela namorava um amigo meu, então devia saber mais ou menos. Liguei pra corrigir. Resposta: "ué, copiei do seu site". Um site que eu não atualizo há seis anos, que ainda fala da história que eu traduzi para Homem-Aranha 5 (hoje, está nas bancas a edição 81). Mais importante, diz que eu escrevo para lugares para os quais não escrevo mais há anos. Como perdi a senha, nunca tirei a página do ar.

Não sei se ela corrigiu, mas a praga do controlcê-controlvê é onipresente nos sites especializados - então, vários reproduziram o texto com o erro.

Há alguns meses, uma estudante me ligou para pedir ajuda para seu trabalho de conclusão de curso e passei mais de meia hora contando sobre os padrões das agressões contra jornalistas no Brasil. Outro dia ela me mandou o trabalho de conclusão de curso que fez e pediu para eu mandar minha opinião a respeito. Fiquei constrangido demais para fazê-lo com sinceridade, depois de ler o trabalho.

Resultado: em respeito às namoradas de amigos e estudantes bem-intencionados, mas especialmente em respeito à sanidade do meu fígado, desisto de dar entrevistas sobre jornalismo.

terça-feira, 20 de maio de 2008

É um pássaro? É um avião? Não: é o jornalismo em tempo real

No final da tarde desta terça-feira, uma notícia colocou São Paulo em alerta: um avião da empresa Pantanal teria caído no bairro de Moema, próximo ao aeroporto de Congonhas, onde ocorreu um terrível acidente no ano passado. Gelei: na sexta-feira, mais ou menos àquela hora, eu e um dos meus chefes desembarcávamos em Congonhas, de um teco-teco da Pantanal em que a aeromoça morria de medo de o Patrick manter sua mochila sobre o colo. E se fosse o mesmo avião?

A notícia saiu primeiro na emissora de notícias Globo News, de onde foi parar no Globo Online, às 17h19. Imagens feitas com celulares chegavam às redações de TVs e internet, mostrando uma coluna de fumaça na região. Sites como a Folha Online solicitavam a colaboração dos leitores. O Portal Imprensa colecionou as imagens das páginas com a manchete.

Em menos de 10 minutos, às 17h28, tanto a empresa aérea quanto a empresa que administra os aeroportos brasileiros negaram a informação. O Blog do Noblat atualizou sua nota sobre o caso conforme chegavam as informações. Tratava-se, na verdade, de um incêndio numa loja de colchões, como relatou a Reuters.

Em nota enviada à imprensa, a Globo News eximiu-se de culpa: "A respeito do incêndio ocorrido hoje à tarde em São Paulo, a Globo News, como um canal de noticias 24 horas, pôs no ar imagens do fogo assim que as captou. Como é normal em canais de notícias, apurou as informações simultaneamente à transmissão das imagens".

O texto não informa de onde veio a informação que incluía até o nome da empresa aérea do avião que teria caído.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Efeito carnaval

Além dos 14 atropelados pelo trio elétrico em Minas e da modelo que usou superbonder no tapa-sexo, a Folha Online também foi vítima do carnaval. Veja esta notinha:


O Globo Esporte também entrou na dança:

    Patriots põem Gisele Bündchen em apuros
    Brasileira teria prometido correr nua em Manhattan se time perdesse o Super Bowl XLII

    GLOBOESPORTE.COM Rio de Janeiro

    Nunca uma derrota no Super Bowl foi motivo para comemoração das duas equipes, e também para milhões de torcedores e fãs que acompanham o noticiário do futebol americano profissional. A vitória do NY Giants por 17 a 14 sobre o New England Patriots no último domingo colocou a modelo brasileira Gisele Bündchen em apuros.

    Namorada do quarterback Tom Brady, dos Patriots, Gisele teria prometido que, se o time de Brady, invicto até então, fosse derrotado na decisão, ela correria nua em Manhattan.

Nenhum dos dois jornais online cita claramente a fonte da notícia, então fui procurar a fonte original - afinal, a "imprensa norte-americana" é imensa e bastante variada. Depois de uma breve pesquisa, encontrei. É esta notícia do CBS Sports, via Sportsman's Daily.

Ocorre que quem leu o texto e lascou a notinha da Folha Online não leu até o fim. Senão, teria lido este aviso:

    For more satirical stories like this, check out The Sportsman's Daily homepage.

    (Para mais matérias satíricas como esta, visite o site do Sportsman's Daily.)

O Patrick pôs no La Plaza.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Pelo direito de não ler sobre o Big Brother

De tempos em tempos, é o mesmo ritual. Se você lê notícias na internet, acaba tropeçando no noticiário sobre o Big Brother Brasil. Todo tipo de particularidade sobre a vida dos personagens é noticiado e polemizado: um ficou doente, outra gosta de meninas, etc. A Folha Online está dando uma grande ênfase nisso. No RS, reserva-se espaços na capa do jornal para (adivinhe) a gaúcha que estará no Big Brother. E eu com isso?

Vá lá: há quem goste, se interesse e até assine canal de TV paga só pra ver aquele monte de gente saudável alegremente praticando a vagabundagem. Mas não dava pra pelo menos não misturar as notícias disso com as notícias de assuntos de verdade?

Essas notícias geralmente estão no meio do noticiário sobre artes e espetáculos, que abrange de livros a atrizes pagando calcinha, de cinema aos vaivéns dos namoros de apresentadores.

Que tal a criação de uma editoria de não-assuntos (ou, pra dar um nome mais palatável, "Celebridades")? Podia-se colocar lá todo o noticiário sobre o Big Brother, a irmã da Britney Spears, a atriz que mostrou a calcinha, etc.

O que interessa pra quem quer ler sobre filmes, imagino, é o que fazem no trabalho. Tirando o Big Brother, todo esse noticiário se refere ao que essa gente faz quando não está trabalhando. Bom, o Big Brother também.

Separando as editorias, quem quiser saber da última fofoca dos artistas e outras subcelebridades pode alegremente clicar no link apropriado e deleitar-se. Quem não quiser não precisa. Simples assim.