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sexta-feira, 27 de março de 2009

Crônica de uma morte anunciada

Em junho do ano passado, subi o morro da Providência pra fazer uma reportagem sobre a morte de três rapazes entregues por militares à gangue que comanda uma favela rival. Hoje, a favela volta ao noticiário porque a polícia deu uma batida e matou um guri acusado de ser traficante.

Vocês lembram do caso das três mortes? Era um caso complicado. O morro estava em obras, num projeto apadrinhado pelo senador Marcello Crivella e tocado pelo Exército. Como fora usado em propaganda eleitoral do senador para prefeito, o projeto foi suspenso. Como os militares causaram a morte dos guris, descobriu-se que o Exército não tinha nada que estar lá - só estava porque o projeto era do senador, que é do partido do vice-presidente, que foi ministro da Defesa.

Pros milicos, a suspensão da obra foi uma bênção. É bom pro pessoal esquecer o fiasco. Pra favela, porém, foi um desastre. A obra empregava 150 garotos da favela, e estimava-se que um terço deles em algum ponto da curta vida havia trabalhado para o tráfico. Nesse trampo, independente de seu mérito político, eles tinham a chance tripla de ajudar a comunidade, sustentar a família e aprender uma outra profissão.

Sem o trabalho, eles mesmo diziam, estariam expostos ao desemprego e aos pedidos de favores de caras com quem cresceram juntos. Favores que podiam render uns trocados muito bem-vindos. Favores perigosos.

Conversei com alguns desses caras, inclusive com um que se identificou como irmão mais velho de Marcos Paulo, um dos três guris que morreram. Aos vinte e seis anos, o cara tinha quatro filhos. Até ontem, ele tinha mais um irmão, que foi exatamente o sujeito que morreu baleado por policiais. A mãe deles nega que ele fosse traficante. A polícia diz que estava com armas e drogas.

Depois das mortes dos guris, no ano passado, o Exército desocupou a favela e aos poucos a imprensa tirou o olho de lá. Tem outras desgraças pra serem cobertas. A eleição passou; embora Crivella tenha perdido, ele continua com toda a mordomia que o Senado tem a oferecer a seus membros. O Exército está tranqüilo, até trocaram o juiz que cuida do processo contra os milicos que jogaram os guris na mão dos traficantes da outra favela.

Só quem se ferrou foi quem ficou na favela. Os empregos saíram, os tiroteios voltaram. Dona Maria de Fátima, por exemplo, perdeu dois filhos em menos de um ano.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Why so funny?

Hoje eu vi um negócio que me deu até uma ponta de medo.

Eu tava passando pela rua São Luiz, no centro de São Paulo, pra gravar meu comentário de hoje pra MTV. Aí passa na frente da van um sujeito carregando um carrinho cheio de caixas de papel pra xerox.

Tinha um negócio engraçado no cabelo dele: meio sujo, meio verde. Aí ele olha pra janela: o desgramado tinha pintado a cara que nem o Coringa do filme. Igualzinho.

Lembrei direto de notícias que li recentemente.

Em janeiro, na Bélgica, um ano e um dia após a morte do ator Heath Ledger, um cara vestido de Coringa matou dois bebês e uma babá numa creche. Semana retrasada, nos Estados Unidos, um militar vestido de Coringa, acusado pelo assassinato de um colega, apontou uma arma para dois policiais num parque nacional e foi morto pela polícia.

Aí me aparece esse entregador vestido de Coringa no centrão de São Paulo. Pode ser que ele não vá matar ninguém, mas de qualquer forma andar por aí com o rosto e o cabelo pintados de Coringa, de graça, é um mico BEM maior do que sair na rua com uma camiseta do Batman (como eu mesmo saio às vezes). Eu diria que é quase equivalente a sair de cueca na rua.

OK, a caracterização do ator é genial mesmo. Bizarra na medida certa, sem ser um palhaço canastrão. Mas tem mais coisa aí, tem um elemento que não me parece usual: o que tem nesse Coringa do Heath Ledger que faz um cidadão pagar esse tipo de mico?

quarta-feira, 4 de março de 2009

Chame o bandido?

Admirável mundo novo: nos últimos dias, quem melhor tem solucionado os crimes mais visíveis do Rio de Janeiro são os bandidos.

Ontem, assaltaram um casal e jogaram os dois de uma encosta. Traficantes da Rocinha, onde se escondiam os bandidos, espancaram os ladrões, a ponto de eles serem internados no hospital. Com isso, eles ficaram bem à vista da polícia, ainda com os pertences do casal.

Outro dia assaltaram e mataram um fotógrafo do O Dia. Os homens apontados como os assassinos apareceram mortos e carbonizados.

Os traficantes têm lá seus motivos pra fazer o que a polícia não consegue: sempre que um crime ganha visibilidade, enche de polícia no lugar onde atuam os traficantes. E isso é o que eles menos querem.

De qualquer forma, é triste que uma cidade linda daquele jeito chegue a esse ponto em que quem soluciona crime é o bandido, só porque é ruim para os negócios.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Essas polícias maravilhosas

Da Agência Estado:

    A Secretaria de Defesa Social se limitou a divulgar na tarde desta quinta-feira, 26, a ocorrência de apenas dois homicídios durante o período do carnaval, em dois focos de folia - um em Igarassu, na região metropolitana, e outro no desfile do Galo da Madrugada, no sábado à tarde, no Recife. Ao contrário dos anos anteriores, não foi divulgado o número de homicídios registrados no Estado nos dias de carnaval. (...) No entanto, de acordo com o blog PE Body Count, que conta os homicídios em Pernambuco, 66 pessoas foram mortas no período, superando o total de 58, registrado - e divulgado oficialmente - no carnaval 2008.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Foi ou não foi?

A garota que foi baleada e teve o namorado assassinado, possivelmente pelo irmão de um policial, teve alta do hospital.

Todas as notícias a respeito já deixaram de citar "estupro". Até ser revelado que o suspeito preso era irmão de um policial, todas diziam que a garota teria sido estuprada. Depois de a polícia dizer que não foi estupro, só atentado violento ao pudor, todo mundo passou a dizer que ela foi "molestada".

A vítima passou 20 dias no hospital antes da mudança de versão e mais alguns dias depois. Deve ter passado por vários exames. Minhas dúvidas:

1) Alguma fonte do hospital alguma vez afirmou que ela fora estuprada?

2) Se afirmou, alguma fonte do hospital alguma vez corroborou a mudança de versão da polícia?

sábado, 21 de fevereiro de 2009

A vantagem de ser irmão do policial

Diz O Globo que o irmão policial do suspeito de ter matado o guri e estuprado a guria no morro do boi está participando da investigação. Aliás, qual é o nome desse irmão policial? Se fosse publicado, era um fator de pressão a mais.

E o delegado do caso muda sua versão mais rápido do que a Paula Oliveira na Suíça - e ainda tenta censurar um repórter, como se pode ver na transcrição da entrevista abaixo, feita por um repórter da Gazeta do Povo:

    Repórter - O senhor pode conversar comigo sobre a matéria que saiu na agência (Agência Estadual de Notícias, do governo do estado)?

    Cartaxo - Não. É aquilo lá. Sem comentários.

    Repórter - Só uma pergunta, por gentileza. O senhor me disse na sexta-feira (13) que não havia sido roubado nada do casal. E hoje veio a informação do indiciamento por latrocínio (roubo seguido de morte);

    Cartaxo - Eu não lembro de ter dito isso para você.

    Repórter - Está gravado aqui.

    Cartaxo - Ah, você gravou? Então eu devo ter me enganado.

    Repórter - O que mudou nesses (sete) dias?

    Cartaxo - O depoimento dela. Foi feito na quinta-feira.

    Repórter - Pois é, mas a gente conversou na sexta-feira.

    Cartaxo - Não, o depoimento dela foi na segunda-feira.

    Repórter - Na segunda-feira agora?

    Cartaxo - É.

    Repórter - E roubaram o que deles?

    Cartaxo - Dinheiro.

    Repórter - Quanto?

    Cartaxo - Ah, vai. Tá na matéria? Você quer me derrubar de novo?

    Repórter - Não.

    Cartaxo - Então não me pergunte isso. Se não tá na matéria não é para noticiar.

    Repórter - Roubaram dinheiro deles então?

    Cartaxo - Acho que sim.

    Repórter - Algum outro objeto de valor? Máquina, alguma coisa.

    Cartaxo - Eu não vou te esclarecer isso, Karlos. P..., mas que coisa!

    Repórter - Mas, doutor...

    Cartaxo - Ah, pô. Ah, para de me encher o saco, c...

    Repórter - Mas não elucidou o caso?

    Delegado desliga o telefone.

Dá pra levar a sério um país destes?

Eu elogiei logo no começo o retrato-falado da polícia paranaense. Mas agora acho que não adianta fazer bons retratos falados se o nível de arbitrariedade é esse.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Deixa eu ver se eu entendi

No final de janeiro, um casal foi atacado por um pretenso guia turistico no Parana. O rapaz foi morto e a moca, alem de baleada, teria sido estuprada. Ela passou dias internada num hospital, possivelmente passando por todo tipo de exame. O tempo inteiro ela era referida como a garota que foi estuprada.

Um retrato-falado do suspeito foi distribuido, e um suspeito foi reconhecido inclusive pela vitima. Quando ele foi identificado, falava-se em testar o esperma. Tambem se falava que o cara era irmao de um policial. O Jornal da Band diz que o irmao dele ja foi chefe de policia no Parana.

Agora, depois de 20 dias do fato e dois dias da identificacao do suspeito, a Folha Online informa que o delegado responsavel pelo caso diz que ela nao foi estuprada, apenas bolinada.

Entao, ela passou varios dias no hospital passando por exames para a policia descobrir que ela nao foi estuprada APENAS DEPOIS DE O SUSPEITO SER IDENTIFICADO COMO IRMAO DO EX-CHEFE DE POLICIA?

Uau. Se for assim, a policia do Parana anda melhor equipada que os hospitais. Ou isso ou estao querendo fazer uma nova Paula Oliveira, pra botar a culpa na Geni de sempre.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Ônibus mata ciclista na Paulista: o motor venceu


Hoje pela manhã, uma ciclista de 40 anos foi atropelada na Avenida Paulista. Seu corpo ficou quatro horas estendido no chão, até que foi removido. (A foto acima não é do acidente; foi tirada do blog Apocalipse Motorizado).

O relato do Diário de S.Paulo é sucinto:

    Uma ciclista, de 40 anos, morreu após ser atropelada por um ônibus, na Avenida Paulista, no sentido Consolação, na região dos Jardins. O acidente ocorreu quase na frente do prédio da Fundação Casper Líbero, na pista da direita. Márcia Regina de Andrade Prado circulava perto do meio-fio quando o motorista a ultrapassou. Uma testemunha diz que o motorista bateu no guidão da bicicleta. Ela se desiquilibrou, caiu e o coletivo passou por cima dela. O motorista Mario José de Oliveira, de 53 anos, trabalha desde 1981 e diz que nunca havia se envolvido em acidentes. Ele relatou à reportagem que ela estava no meio da faixa. Ele avançou na segunda faixa para ultrapassá-la. Quando ele retornava para a faixa da direita, ouviu o barulho e parou.

    - Tenho a consciência tranquila. Lamento muito a morte de uma pessoa, mas sei que não tive culpa - disse.

A Folha Online informa: "Quem trafegava pela avenida Paulista por volta das 15h50 enfrentava 1,3 km de congestionamento no sentido Consolação, da rua Joaquim Eugênio de Lima até a rua Augusta".

Por curiosidade, resolvi pesquisar na internet para ver o que descobria a respeito da ciclista. Renunciar ao carro, em São Paulo, já exige alguma coragem. Adotar a bicicleta como meio de transporte aqui, então, exige quase a mesma coragem de quem combatia a ditadura militar.

Encontrei, e não passei longe da verdade, não. Márcia Regina de Andrade Prado era uma ativista do ciclismo - uma "cicloativista", como eles se definem. Costumava solicitar liberação das autoridades para bicicletadas, reclamava a elas sobre falta de condições para o tráfego de ciclistas e era chamada de "nossa líder" por outros integrantes do movimento.

Alguém com esse grau de articulação, presume-se, não poderia ser uma ciclista imprudente. Imprudente, parece, tornou-se fugir à lógica do motor em São Paulo.

Em setembro, Márcia foi uma das signatárias do Manifesto dos Invisíveis, que tinha este trecho:

    Não clamamos por ciclovias, clamamos por respeito. As leis de trânsito colocam em primeiro plano o respeito à vida. As ruas são públicas e devem ser compartilhadas entre todos os veículos, como manda a lei e reza o bom senso. Porém, muitas pessoas não se arriscam a pedalar por medo da atitude violenta de alguns motoristas. Estes motoristas felizmente são minoria, mas uma minoria que assusta e agride.

Meus respeitos à Márcia, a quem eu não conhecia mas passei a admirar a partir da pesquisa para este post. Sempre tive simpatia pelos ciclistas, mas ainda não tive coragem de comprar uma bicicleta exatamente por medo de algo como o que houve com ela.

Pensar que o caos do motor é o preço do desenvolvimento é agir como aquele prefeito de piada, cujo primeiro ato na administração de uma cidade pequena foi queimar uma pilha de pneus na praça. "Eu prometi desenvolver a cidade, e cidade desenvolvida tem que ter poluição", justificou.

Contrastem essa notícia com esta reportagem que saiu hoje no New York Times sobre um cicloativista de Portland, Oregon. Ele é deputado, representando a cidade. O prefeito da cidade também é ciclista.

Quer contrastar mais ainda? Veja esta cena de Malmö, a terceira maior cidade da Suécia, muito industrializada e bem-provida de serviços sofisticados. Foi tirada ao meio-dia. Seria impensável na primeira ou na décima ou talvez na centésima maior cidade do Brasil. Comparar as fotos das duas pontas deste post mostra mais ou menos qual é a distância entre o mundo desenvolvido e o mundo subdesenvolvido.



quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Duplo sentido em festa

Volte mentalmente à quinta série por um instante e divirta-se lendo esta notícia.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Mapa da covardia

O Vitor Barone está fazendo um mapa que compila as notícias sobre agressão física ou psicológica a idosos no Brasil. Até agora, está assim:


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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Tortura, impunidade e chuva na moleira


Mais um guri foi torturado por milicos no Rio de Janeiro. Entre as agressões que sofreu, eles teriam jogado ácido no seu rosto. Ele pode perder a visão.

Tudo bem que ele não é nenhum anjo e nem foi muito esperto: havia pulado o muro do quartel com um amigo pra fumar maconha lá dentro. Mas ainda assim a reação dos milicos foi completamente descabida. Sádica. Tanto quanto a dos seus colegas há alguns meses, quando montavam guarda no Morro da Providência, bateram boca com outros guris que voltavam de uma balada e resolveram "passar um corretivo" neles por meio de surra e entrega deles a criminosos de uma favela rival, que os torturaram barbaramente.

O novo caso de abuso de "otoridade", a poucos quilômetros de distância do outro, vem num momento em que algo conexo vem sendo discutido em esferas mais altas. Afinal, deve-se ou não reabrir os processos contra os militares acusados de tortura no regime militar? Reabri-los é olhar pra trás, como diz o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ou a garantia do direito de saber a verdade, como diz o ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi?

Enquanto os homens de gravata batem boca, e vai haver uma ocasião no Senado em breve para baterem boca sem ser pelo intermédio de jornalistas, a coisa continua como está para ver como é que fica. E o "como está" acaba, em última análise, dando margem a esse caldo de cultura que faz com que rapazes pobres de farda julguem que não há problema algum em torturar rapazes pobres à paisana. Todos eles são rapazes pobres, geralmente. Mas a farda dá "otoridade".

No final de junho, estive no Rio de Janeiro fazendo algumas entrevistas no Morro da Providência para uma reportagem do Los Angeles Times. Conversei com as mães dos rapazes lá mortos e com os moradores de casinhas que estavam sendo reforçadas para que não fossem perfuradas à bala nos tiroteios entre polícia e traficantes. Uma das moradoras me mostrou buracos de bala na parede do quarto de sua filha, centímetros acima da linha do colchão.

Os militares estavam lá montando guarda enquanto administravam um projeto de reforma das casas, o chamado Cimento Social. Era uma organização meio estranha, porque o orçamento era necessariamente administrado pelo Exército e o projeto era bancado pelo senador Marcelo Crivella, do partido do vice-presidente - e antecessor de Jobim na Defesa - José Alencar. Ah, sim. Crivella também era pré-candidato à Prefeitura do Rio neste ano.

De repente, os milicos jogam os guris pra morrer nas mãos dos traficantes da favela rival. Aí, todo mundo olha pra Providência. O que eles estavam fazendo lá? Guardando o Cimento Social. Que obra é essa? É aquela que o Crivella está usando em santinhos pra concorrer a prefeito. Aí todos ficam indignados: é uso eleitoral. E Crivella fazia uso eleitoral mesmo. Aí, a Justiça Eleitoral manda cancelar o projeto até o fim das eleições. E as obras páram.

Saiu o Exército, voltaram os tiroteios entre polícia e traficantes. Dez dias depois da eleição, um homem morreu numa troca de tiros. Talvez tenha sobrado alguma bala na parede da casa da falante senhora que me mostrou os buracos de tiroteios anteriores, não sei.

O primeiro turno foi dia 5 de outubro, há um mês. Crivella perdeu a eleição, mas continua com seu cargo de senador. Até hoje, não li nada sobre se as obras das casinhas da Providência vão ou não ser retomadas. Tem chuva em janeiro, então eles devem estar se preparando pra bala na parede e chuva na moleira.

Na época, falou-se que foi um alívio para o Exército sair da Providência, pra evitar a animosidade e tentar dar uma abafadinha. Eles só voltam se o governo mandar. Não sei se o governo vai mandar que eles voltem, pra evitar mais desgaste. Ainda mais agora, que torturaram mais um. Como já passou a eleição e ele perdeu, também, possivelmente nem o Crivella tem pressa.

Em setembro, quando quase não se falava mais no assunto, o primeiro juiz que cuidou do processo das mortes, sendo contundente no interrogatório do tenente Ghidetti, foi afastado do caso pouco tempo depois de o comandante do Comando Militar do Leste (CML), general-de-exército Luiz Cesário da Silveira Filho, pedir ao TRF2 que trocasse o juiz.

Aposto uma barrinha de cereal: tal como ocorreu com as torturas da ditadura, o governo vai deixar como está pra ver como é que fica. O caldo da cultura da impunidade só engrossa. E a falação dos cavalheiros de gravata e farda só se arrasta. O mundo, enfim, gira em torno da dança das cadeiras deles.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Descornados, perigosos e na moda

O novo caso de descornados e perigosos ocorreu em Curitiba, no Paraná. Uma estudante de 17 anos foi capturada pelo ex-namorado, com quem tem um bebê de nove meses, segundo O Globo. O ex estava armado. Ambos sumiram.


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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Os efeitos da equação

Ontem, em São Paulo, o G1 deu uma notícia bombástica: PM diz que criança é mantida refém pelo pai na Zona Sul de SP. Isso às 2 da manhã. A polícia e a imprensa haviam sido chamadas pela mãe, dizendo que o ex-marido havia tomado a criança como refém - e que estava armado.

Duas horas depois, às 4 da manhã, mudou completamente a versão: Mãe disse que filha era refém em SP para retomar guarda de criança, diz PM. O caso então ficou assim:

    A Polícia Militar (PM) informou que o caso de uma criança que seria mantida refém pelo próprio pai na Zona Sul de São Paulo, desde as 22 horas de quarta-feira (29), não passou de uma estratégia da mãe para tentar retomar a guarda da filha de 5 anos. No início da ocorrência, a PM tratou o caso como cárcere privado grave, e utilizou quatro equipes para ir ao local do suposto crime, totalizando a mobilização de pelo menos oito soldados.

    Segundo a PM, a própria mãe da criança chamou a polícia com quatro chamados consecutivos ao 190. Ela teria dito que o pai estava armado. A mulher também teria chamado a imprensa ao local, dando uma dimensão de seqüestro ao caso.

    Já no local, as equipes da PM constataram que a criança estava numa festa de aniversário em um bufê na região do Shopping Morumbi, na companhia do pai. A polícia apurou que ele não estava armado e não teria tomado a criança refém, conforme acusou a mãe. Ao menos dois soldados chegaram a revistar o rapaz e o estabelecimento à procura de uma suposta arma. Nada foi encontrado.

    Na seqüência, a mãe apresentou aos policiais um documento de busca e apreensão da criança. A informação foi contestada pelo pai, que segundo a apuração da PM, detém a guarda da criança. Ele ainda apresentaria a documentação.

Ou seja: era um trote de uma mulher que tentou usar o espetáculo a favor de seu lado em mais um drama familiar como tantos outros. Certamente triste. Mas há alguma dúvida de que isso é inspirado na moda gerada pelo espetáculo de Santo André?

Mais ainda: o caso todo saiu de madrugada no G1. Não havia nada confirmado quando a primeira notícia saiu. Duas horas depois, precisou haver a retratação.

A notícia sobre a briga pela guarda da criança saiu no Folha Online no feed de Cotidiano, com o texto atualizado depois que a situação se esclareceu. Assim: Briga por guarda de criança acaba em caso de polícia em SP. O leitor que só foi ler a respeito de manhã pegou apenas a versão completa. Ponto pra Folha Online - mas ainda assim o leitor que foi dormir depois de ler a primeira versão, sem o desfecho, levou pra cama a informação distorcida pelo interesse da mãe da criança.

O "G1 - Notícias" é o feed de maior volume de notícias entre os que eu recebo. Segundo as estatísticas do Google Reader, ele manda em média 252,2 textos diários. Faz tempo que desassinei o "G1 - Plantão", porque ele é ainda mais nervoso. Em apenas um minuto de hoje, às 10:34 da manhã, ele atualizou quatro notícias. Em 10 minutos, foram 12 notícias, incluindo as imperdíveis "Vaticano fecha portas do sacerdócio para homossexuais, mesmo os castos" e "Cadeira voadora fica acima das preocupações em feira de Londres".

Eu não assino feeds de portais exclusivamente de internet, como o Terra, porque senão ficaria louco. Não sei qual é a média, porque não assino, mas a lista de notícias é uma avalanche. E boa parte delas é chupada de outros meios de comunicação: BBC, JB, agências. Pessoalmente, prefiro sempre o original. Estamos na internet, enfim, e tudo está igualmente à mão.

Para fins de comparação, o feed "Folha Online - Brasil" envia uma média de 76,4 textos diários. "Folha Online - Cotidiano" envia uma média de 50 textos diários. Para mim, está de ótimo tamanho. E olha que eles também reproduzem material da BBC e da Agência Brasil, por exemplo.

Se não fosse a urgência de publicar dezenas e dezenas de textos de tantos em tantos minutos durante a madrugada, se o repórter pudesse se "dar ao luxo" de esperar até a polícia chegar ao local para publicar (quem tem urgência em ler notícias às 2 da manhã, afinal?), era um mico a menos da parte do G1. E não insuflava a sede de espetáculo da mãe da criança, certamente influenciada pela moda de Santo André.

A ânsia de ser o primeiro a dar as últimas, igualando qualidade a quantidade e publicando antes de confirmar, coloca os portais facilmente à mão de qualquer interesse - especialmente os espetaculosos, mas não só.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Uma triste equação e uma longa digressão

Nunca fui muito bom em matemática, mas vejam esta equação aqui:

    (Espetáculo + incolumidade) x (tradição de abuso + desconfiança) = tristes modas

Em Marília, mais um descornado, este de 19 anos, manteve a ex-namorada (de 14) em cárcere privado. Foram dois dias. Ele libertou a guria hoje de manhã e deu no pé. São Paulo parece ter-se tornado a meca dos descornados e perigosos, com três mortes desde o seqüestro da Eloá (fora a da própria), como se pode observar nesta visualização do mapa exclusivo deste blog:


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Um dos principais motivos possíveis pelos quais isso virou moda depois do caso Lindemberg é possivelmente o fato de que o único que não saiu ferido foi o seqüestrador. Dois artigos publicados nos últimos dias tocam bem nesse assunto. Eles convergem num ponto, divergem noutro.

"Uma verdade apavorante", de Paulo Moreira Leite, na Época desta semana:

    Deve-se ao coronel Eduardo José Félix, comandante da Tropa de Choque, a principal revelação sobre o estado de espírito da Polícia Militar de São Paulo. Na hora de explicar por que os atiradores de elite da PM desperdiçaram seis oportunidades para alvejar o Príncipe do Gueto que matou Eloá Pimentel, o coronel declarou: “Inevitavelmente os senhores da imprensa estariam questionando o Gate do mesmo jeito. É um garoto de 22 anos, sem antecedentes, que estava passando por uma crise nervosa”.

    A declaração é equivocada, já que a polícia não é um serviço de relações públicas e tem a obrigação legal de proteger vidas humanas em primeiro lugar. Não é difícil entender o comportamento da PM. A culpa não é da imprensa, mas a explicação é apavorante.

    A PM tem medo. Muitas vezes, quando um atirador de elite poderia entrar em ação – depois que todos os meios de negociação pacífica foram esgotados –, a voz de comando gagueja e as mãos que deveriam apertar o gatilho tremem. Criados nas trincheiras européias da Primeira Guerra Mundial, os atiradores de elite não são uma moda recente e estão em atividade no mundo inteiro. Mas o receio, no Brasil, é real, e nasceu em 1990.

    No esforço para libertar uma refém num assalto em Perdizes, um atirador de elite fez um disparo de filme. Matou o criminoso na hora. Mas a bala seguiu em frente e alvejou a vítima, que faleceu no hospital. O PM foi preso, julgado e condenado. Ouviu uma sentença humilhante, na qual o disparo era definido como inconseqüente e irresponsável.

    De lá para cá, os atiradores de elite baixaram o fuzil. É cada vez mais freqüente encontrar situações nas quais seus serviços poderiam ser usados – na opinião da maioria dos especialistas –, mas nem se cogita. É como se, por causa de um erro médico, fosse necessário abandonar uma técnica cirúrgica consagrada pela medicina.

"A liberdade e o direito com responsabilidade", da procuradora da República Ana Lúcia Amaral, hoje no Observatório da Imprensa:

    Mantendo a atenção de toda a mídia por cerca de 100 horas, [Lindemberg] teve o domínio da situação todo o tempo. Chegou a fazer disparos a esmo, colocando em risco outras pessoas, sem que a polícia reagisse, e exibiu-se por trás da refém, apontando a arma para sua cabeça. Mesmo havendo previsão legal da legítima defesa de terceiro (art. 25 do Código Penal), a polícia não atirou no seqüestrador.

    Todavia, a Polícia Militar de há muito é a "Geni": se atirasse, não faltaria quem criticasse a violência como desnecessária, pois não esgotadas as negociações. Entidades de defesa dos direitos humanos acusariam a polícia de execução sumária, sem julgamento por juiz competente, violando o direito à ampla defesa e o princípio da dignidade da pessoas humana etc., etc.

    (...) Não estou a defender a violência policial como forma de solução dos problemas de criminalidade, mas a ponderar se a imprensa não poderia exercer um certo controle da atividade policial, em tempo real, mas não transmitindo ao vivo.

Pessoalmente? Sempre fico com um pé atrás quando se fala em "pactos", "acordos", "parcerias" para a imprensa publicar ou deixar de publicar alguma coisa em nome de algum bom sentimento. Mas também acho que ninguém precisa de cobertura minuto a minuto de um caso triste desses. Acho que a informação é muito importante - até pra botar na mesa a discussão sobre políticas de segurança. Mas ninguém precisa desse circo todo que ocorreu - até porque o circo estimula reações doentias. Pode não causar, mas certamente dá idéias.

Existe um razoável meio termo, já estabelecido na cobertura de seqüestros em geral: a imprensa acompanha, mas só publica quando termina. Seria um bom meio-termo pra um caso desses? Eu acho que sim. Mas se for estabelecido por decreto eu sou contra. Teria que ser uma opção editorial de bom senso. Mas existe bom senso no mundo, ainda mais com trocentos sites minuto a minuto, além de TVs e rádios de notícias 24 horas competindo pra ver quem derruba primeiro o avião na Faria Lima?

ATENÇÃO: Os vários parágrafos a seguir contêm digressões sobre jornalismo. Caso julgue perda de tempo, não precisa ler mais pra frente.

Essa opinião tem muito a ver com minhas idiossincrasias profissionais - como, por exemplo, a de achar inútil todo tipo de pseudo-evento planejado pra atrair jornalistas: coisas como entrevistas coletivas, cafés-da-manhã-para-a-imprensa, debates eleitorais, coberturas-manada em porta de delegacia e outros que-tais. Também tem a ver com minha idiossincrasia fundamental, a de preferir os dados às aspas. E tem um pouquinho de egoísmo, também: prefiro cavar minhas próprias pautas a cobrir o assunto-da-vez que todo mundo está cobrindo.

(Um pouco por sorte, outro tanto por teimosia, outro tanto por direcionamento profissional, dá pra contar nos dedos quantas vezes precisei cobrir esse tipo de evento. Mas, de qualquer forma, eu me sinto incompetente nessas ocasiões, porque não é o que eu sei fazer. Há quem saiba e goste. Mas não é minha praia.)

Até porque o Brasil não pára enquanto ocorre o assunto da vez, mas as redações estão cada vez mais enxutas. É outra equação: despejar muitos profissionais para cobrir um só assunto tira profissionais da cobertura de todos os outros. E a ênfase primordial num só assunto favorece o declaratório, a espetacularização e a instrumentalização da cobertura por fontes cada vez mais profissionalizadas e portadoras dos mais diversos interesses. A compreensão, aí, vai pras cucuias.

É exatamente a esse fenômeno que o Carl Bernstein se refere no artigo "O Triunfo da Cultura Idiota", de 1992:

    O maior crime do negócio da notícia hoje é ficar para trás ou perder uma grande matéria. Então, a velocidade e a quantidade substituem a perfeição e a qualidade, a exatidão e o contexto. A pressão para competir, o medo de que alguém vá dar primeiro a notícia, cria um ambiente frenético onde uma nevasca de informações é apresentada e questões sérias não podem ser levantadas: e mesmo naquelas bem-aventuradas instâncias em que tais questões são feitas, ninguém passou meses trabalhando para verificar e respondê-las corretamente.

    Reportagem não é estenografia. É a melhor versão da verdade possível de se obter. As tendências realmente significativas no jornalismo não têm ido em direção a um compromisso com a melhor e mais complexa versão da verdade possível de se obter, não em direção a construir um novo jornalismo baseado em reportagens sérias e refletidas. Essas não são as prioridades que saltam para o leitor da maior parte de nossos jornais, nem o que o espectador recebe quando liga nos noticiários.

É impressionante como ele fica mais atual a cada ano que passa, quanto mais se multiplicam os canais pelos quais as notícias-commodity chegam aos seus consumidores. E quanto mais isso acontece, mais o circo se potencializa - e cada vez mais alto gritam os guardiões da decência com propostas censórias e jogando as coberturas da TV trash e do jornal sóbrio no mesmo saco basicamente por tratarem do mesmo assunto que se espetacularizou.

Já reparou nas "críticas de mídia" que vêm circulando por aí sobre a cobertura do caso Eloá? Pois é. Ainda ontem era a mesma gritaria sobre o caso Isabella - que foi coberto do mesmo jeito commoditizado.

E aqui volto ao meu maestro soberano Philip Meyer, que escreveu há pouco um interessante artigo na American Journalism Review onde ele reformula seu conceito de "jornalismo de precisão", dos anos 70, como "jornalismo baseado em evidências":

    I still believe that a newspaper's most important product, the product least vulnerable to substitution, is community influence. It gains this influence by being the trusted source for locally produced news, analysis and investigative reporting about public affairs. This influence makes it more attractive to advertisers.

    By news, I don't mean stenographic coverage of public meetings, channeling press releases or listing unanalyzed collections of facts. The old hunter-gatherer model of journalism is no longer sufficient. Now that information is so plentiful, we don't need new information so much as help in processing what's already available. Just as the development of modern agriculture led to a demand for varieties of processed food, the information age has created a demand for processed information. We need someone to put it into context, give it theoretical framing and suggest ways to act on it.

    The raw material for this processing is evidence-based journalism, something that bloggers are not good at originating.

    Not all readers demand such quality, but the educated, opinion-leading, news-junkie core of the audience always will. They will insist on it as a defense against "persuasive communication," the euphemism for advertising, public relations and spin that exploits the confusion of information overload. Readers need and want to be equipped with truth-based defenses.

    Newspapers might have a chance if they can meet that need by holding on to the kind of content that gives them their natural community influence. To keep the resources for doing that, they will have to jettison the frivolous items in the content buffet.

Acho que esse conceito de demanda por informação processada num tempo em que a informação-commodity barata e burra abunda vale a pena para dar partida à reflexão sobre o que fazer a respeito de um ambiente que, em última análise, alimenta os descornados e perigosos. A oferta de notícias-commodity não vai deixar de existir. Mas não é por isso que a imprensa de referência precisa concorrer com ela.

Mas, enfim, estou pensando com os dedos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Não é por nada não, mas...

Não acho que o pai da Eloá seja santo nem nada. Acho que está claro que ele fez parte de um grupo de extermínio em Alagoas e fugiu com outro nome quando a filha era pequena. Mas tenho me divertido bastante com a escalada de novas revelações sobre a família:

Pai de Eloá é identificado em Alagoas e acusado de integrar 'gangue fardada' (21/10/2008)

Secretaria de Defesa Social de Alagoas quer força-tarefa para buscar pai de Eloá (21/10/2008)

Vizinhos sabiam que pai de Eloá tinha problemas em Alagoas (23/10/2008)

Pai de Eloá é acusado de mais dois homicídios e de deserção (23/10/2008)

Pai de Eloá pode ter matado sua primeira mulher (24/10/2008)

Ex-cunhadas do pai de Eloá querem colaborar no inquérito sobre a morte da irmã (24/10/2008)

Polícia de Maceió investiga elo de Lindemberg com pai de Eloá (26/10/2008)

Mãe de Eloá é acusada de seqüestrar filho do 1º casamento (27/10/2008)

Aguardem os próximos capítulos. Nesse ritmo, mais dia, menos dia, ainda vão descobrir que foi o pai da Eloá quem matou o Celso Daniel, junto com o Lindemberg.

Pessoalmente? Costumo desconfiar um tanto quando aparecem vilões absolutos. Nem nos gibis eles existem mais. Se formos levar em conta a perícia com que foi feita a operação de resgate, dá pra supor que a investigação não deve ser muito melhor. Mas qualquer um que tiver novas revelações sobre as maldades da família certamente vai ganhar espaço.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

E os mapas só crescem

Mais um ex-namorado descornado. Mais uma moça muito jovem. Mais uma arma. Mais um ponto no mapa "Descornados e Perigosos". Em Salvador.


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Um prefeito ameaça um vereador que teria denunciado irregularidades suas, no interior de São Paulo. No Piauí, um prefeito teria ameaçado um radialista. No Mato Grosso do Sul, mais um jornalista se diz ameaçado por um político. E o mapa "Faroeste Caboclo" só engorda.


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Pela terceira vez, um juiz eleitoral de Florianópolis manda apreender um jornal que publicou textos biliais sobre o prefeito e candidato Dario Berger. Mais um ponto no mapa "Censura Eleitoral".


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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Descornados e Perigosos - o mapa

Instigado por um comentário do Paulo Henrique sobre mais dois casos de cornos perigosos, coloquei num mapa os casos que detectei só na última semana:


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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Celebridade instantânea no país do sertanejo

Após anos de popularidade da música sertaneja no Brasil, hoje menos popular do que já foi, cornos de várias partes do país encontraram um novo ídolo: Lindemberg, o sujeito que matou a ex-namorada em Santo André e virou uma celebridade instantânea nos programas da TV trash. Agora, ele tornou-se um exemplo para outros cornos sem noção.

Crimes passionais sempre existiram na história da humanidade. Mas vejam o acúmulo de notícias nos últimos dias de ataques violentos - principalmente a mulheres jovens, principalmente no interior de São Paulo:


19/10: Ex-namorado é suspeito de matar jovem em Sorocaba
A jovem Camila Silva Araújo, de 16 anos, foi morta neste domingo (19) com um tiro na cabeça na Rua Carlos Chagas, em Sorocaba, a 99 km de São Paulo. O principal suspeito do crime é o ex-namorado da jovem, de 22 anos, que tem várias passagens pela polícia. Ele está foragido. A Camila rompeu o relacionamento com ele há 4 meses. Neste domingo (19), ele teria ido até a casa da vítima e dito ao pai dela que estava melhorando de vida. Meia hora depois, ele teria voltado à casa da ex-namorada armado, colocado a família dela no quarto e seguido em direção ao quarto da jovem.

19/10: Homem morre após invadir casa da namorada em MG
Um homem invadiu a casa da família da namorada, na noite de sábado, em Ibirité (MG), e começou a atirar contra as pessoas que estavam no local. Guilherme da Silva, de 34 anos, ameaçava os pais de uma adolescente de 17 anos, pois eles não aceitavam o relacionamento entre os dois. A Polícia Militar foi chamada e houve troca de tiros. O homem ficou ferido em estado grave e chegou a ser levado para o Hospital Municipal da cidade, mas não resistiu e morreu.

19/10: Mulher passa seis horas como refém em Itapecerica da Serra (SP)
Uma mulher foi libertada na manhã deste domingo em Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), após passar seis horas mantida refém pelo marido. Segundo a Polícia Militar de Osasco, o Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) foi ao local para negociar a libertação. A mulher estava sozinha em uma casa na rua Ubatuba, no bairro Jardim Montesano. Segundo a PM, não há feridos. Eles deverão ser conduzidos ao pronto socorro e depois à delegacia.Segundo a PM, a mulher era ameaçada por uma faca desde as 1h55 deste domingo.

19/10: PM prende homem suspeito de matar a mulher em Mauá (SP)
Policiais militares prenderam na tarde deste domingo um homem suspeito de matar a própria mulher em Mauá (Grande São Paulo). Segundo a polícia, o crime aconteceu após o casal se desentender. A Polícia Civil informa que o homem pegou uma arma, que guardava em casa, e disparou contra a mulher, que foi socorrida e levada a um hospital da cidade. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu. O suspeito admitiu ter sido o autor do disparo, segundo a polícia. No entanto, a arma do crime ainda não foi encontrada. O caso foi registrado no 1º DP de Mauá.

17/10: Marido é acusado de matar mulher a machadadas em Caraguatatuba
Uma mulher de 43 anos foi morta, nesta madrugada de sexta-feira, em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, a golpes de machado. O crime aconteceu na estrada do Rio Claro, que dá acesso ao Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade. De acordo com a Polícia Militar, na noite de quinta-feira, a vítima e seu marido, de 44 anos, estavam bebendo num bar próximo à residência deles. Quando voltaram para casa, o casal começou a discutir e, segundo a polícia, o marido bateu na cabeça dela com o machado.

15/10: Jovem de 26 anos tenta matar ex-namorada em Guaratinguetá
Um rapaz, de 26 anos, tentou matar a ex-namorada nesta quarta-feira, em Guaratinguetá, cidade a 177 quilômetros da capital. Segundo a polícia, o motivo do crime foi o fim do relacionamento. A vítima, uma vendedora de um shopping, e sua amiga estavam em um ponto de ônibus quando foram abordadas pelo rapaz. Ele tentou atirar três vezes. Errou um tiro e nos outros dois a arma falhou. Elas correram para dentro do shopping, onde trabalham.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O jeito mais demorado de cometer suicídio

O ajudante de produção Lindemberg Fernandes Alves, 22, mantém desde ontem à tarde sua ex-namorada e uma prima dela, ambas com 15 anos de idade, como reféns num apartamento de Santo André. Ele está com uma arma e de vez em quando dispara, sem acertar ninguém. Logo devem acabar as balas.

Por todas as notícias que já li a respeito desse tipo de desespero cornal, a coisa não deve acabar bem pra ele. É difícil alguém que faça isso não acabar sendo morto pela polícia no resgate. Se sair vivo, vai preso e duvido que ganhe o respeito irrestrito dos companheiros de cela.

Caso tivesse alvejado a própria cabeça antes de invadir o apartamento, o suicídio demorava bem menos.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Frase da semana



"cem arma, cem drogas, cem violência – agradecemos a preferencia e acima de tudo nossa percistencia – é nois"

Bilhete deixado pelos ladrões que furtaram R$ 160 mil de um banco de Três Lagoas (MS), reproduzido pelo G1.